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Parece-me que há um nome específico para designar mania de doença: hipocondria. Sintomas e mais sintomas, dores sem fundamento aparente, queixas reiteradas.
Há quem afirme haver um número expressivo de pessoas que recorrem diariamente a hospitais, consultórios e prontos socorros, as quais reclamam de doenças graves, mas que, na verdade, do ponto de vista físico, nada têm.
Se isso é fato, aquele que, comprovadamente, nada tem e insiste em buscar outros profissionais da saúde, alegando estar doente, na verdade está doente. Ou não?
Então, se a medicina não está restrita ao corpo físico, dizer que o doente hipocondríaco é um doente imaginário não parece corresponder a uma análise que considera o homem (físico e mente).
Afinal, ter mania de doença é ou não é uma doença?
Eis aí um assunto sobre o qual escrevo como palpiteira. Por isso, acredito que há doença na doença imaginária, pois qual o benefício em se sentir doente? Quem deseja a dor (real ou imaginária)?
Depois, se o sistema de saúde está aquém das necessidades dos doentes reais, imaginar como são tratados os ditos hipocondríacos nos leva a considerar que são doentes potenciais.
E a razão em achar/encontrar uma doença
em si, ou se imaginar doente?
Das matérias que li sobre o assunto, há inúmeras afirmações. Assim, há quem entenda que o medo de doença grave pode levar à hipocondria. Segundo Raimundo Sotero (loc. cit.), ninguém nasce hipocondríaco, torna-se. E a maior incidência está na faixa dos 30 anos entre homens, e na dos 40 entre mulheres. Destaca, ainda, algumas características de tais comportamentos: personalidade teimosa com tendência à depressão, que pode estar associada ao convívio com pessoas doentes que sofreram de fato ou são hipocondríacas.
Então, para alguém que acha e acredita que sente muitas dores, qualquer alteração fisiológica pode levar a imaginar que possui, realmente, uma doença grave. Segundo ainda a fonte indicada, a hipocondria possui graus variáveis: do obcecado à simples queixa. E, apesar de as dores imaginadas serem físicas, essas pessoas sofrem psicologicamente. Por isso, ironizar, banalizar tais queixas parece não ser a atitude mais correta. São pessoas que precisam de ajuda, visto que, não raro, costumam cortar relações sociais. |