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Adaptação escolar (2)

22 de Fevereiro de 2012 às 01:33min

Além do conhecimento sobre o desenvolvimento da criança na idade em que inicia a vida na escola, outro facilitador do processo de adaptação é a compreensão de como isso ocorre. Como o próprio nome sugere, adaptar significa ajustar, adequar algo ou alguém a outra situação. E isto envolve tempo, paciência  e esforço.

Por isso, a adaptação da criança na escola pode demorar de um dia até meses. Tudo vai depender da idade e do tipo de relação que tem com os familiares. Os pais ou responsáveis devem procurar compreender o criança e a situação em que ela vive. A escola e as pessoas professoras, embora desconhecidos, necessitam deste apoio para o sucesso nesta tarefa.

É imprescindível que se compreenda a necessidade do tempo com os colegas de turma e com as professoras, o que facilitará formação de vínculos com eles. Quando os pais, por exemplo, insistem em ficar dentro da sala de aula, a criança tende a procurá-los, o que dificultará o estabelecimento do vínculo.

A ausência dos pais na sala de aula facilita com que a criança tenha o tempo necessário para que possa explorar o ambiente e ter satisfeitas as suas necessidades neste local. Mais do que natural é que ela expresse o seu estranhamento por meio do choro. Afinal, este é ainda o meio de expressão mais exercitado e revelador do seu desconforto. Quanto aos aspectos físicos, comuns neste processo, estão as dores de barriga, o sono e a conhecida manha.

Compreendendo este fato, é mais fácil aos pais controlar os sintomas relacionados com a ansiedade e ao sentimento de impotência por não poderem fazer nada frente ao “desespero” da criança que tem de ficar na escola. Por mais que os pais estejam apreensivos e que a criança seja pequena, é importante procurar tranquilizar-se, falar bem do ambiente escolar, perguntar das professoras (cite o nome delas) à criança (mesmo que seja um bebê), das novidades, dos amigos e das brincadeiras.

É preciso paciência, esforço e confiança na instituição educacional escolhida. Conversas frequentes com a equipe pedagógica e os professores são fundamentais para isso. Quanto à escola, é importante que a instituição procure controlar este processo e seja também uma facilitadora na adaptação das crianças e dos pais.

Kellen Escaraboto, psicóloga clínica que também atua como psicóloga escolar no colégio Interativa, de Londrina (PR), relata a necessidade de uma prática pedagógica diferenciada no processo de adaptação escolar, com o objetivo de conhecer a criança e sua família antes de ensinar.

Segundo ela, isso favorece a prática do professor, o qual pode planejar e preparar as aulas de acordo com as necessidades específicas de seus alunos. “Os primeiros dias da criança na escola são fundamentais e cruciais no processo educativo. A maioria dos alunos, ao trocarem de turmas, escolas e professores, vivenciam, além da ansiedade, um novo processo de ser e conhecer. Esse processo é um tanto difícil para a criança e a escola deve estar instrumentalizada para a auxiliar nesse novo momento”.

Embora pareça dolorosa, essa fase de adaptação escolar é fundamental para o crescimento e a evolução da criança, que necessita ser valorizada em cada fase de sua vida, assim como respeitada e compreendida em todo seu contexto histórico.

Aos poucos, pais e crianças começam a tranquilizar-se, formar novos vínculos, confiar na escola e a lidar com mais facilidade e prazer com essa etapa fundamental no desenvolvimento humano.

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