Marcio Fonseca de Carvalho
B om dia. No intuito de se embelezar e ter uma sombra fresquinha no sítio, buscamos espécies arbóreas que agreguem beleza e rapidez no seu desenvolvimento. Flamboyant, sibipiruna, cinamomo, eucalipto e amendoeira são as mais comuns para este intuito. No caso do cinamomo, alguns cuidados devem ser tomados.
O cinamomo (Melia azedarach), também conhecida por outros nomes comuns (jasmim-de-caiena, jasmim-de-cachorro, jasmim-de-soldado, árvore-santa, loureiro-grego, lírio-da-índia, Santa Bárbara), é uma árvore nativa da Ásia, que pode atingir de 15 a 20 metros de altura. Possui a copa difusa e aberta, o que proporciona um agradável sombreamento. Apesar de ser uma espécie da família Meliaceae, que é composta por espécies de madeira nobre como cedros, ataúba e mogno, a madeira tem um peso específico de 0.47, é suave, com fibras retas e grossas, fraca e quebradiça e não durável; utilizada para lenha, carpintaria, contraplaca, caixas, cabos de ferramentas e brinquedos.
O problema do cinamomo está na alta toxicidade de suas folhas e frutos. Devido à presença de saponinas e alcalóides neurotóxicos (azaridina), todas as suas partes quando ingeridas podem causar aumento da salivação, náuseas, vômitos, cólicas abdominais, diarreia intensa; em casos graves, pode ocorrer depressão do sistema nervoso central. Estes sintomas são observados especialmente em humanos e suínos; bovinos e aves não parecem ser suscetíveis. O maior cuidado deve ser tomado com os frutos, pois são atrativas especialmente para crianças.
Existem alguns relatos de impactos ecológicos provocados por esta espécie. Segundo estudos, o cinamomo invade florestas, especialmente ambientes ciliares; substitui espécies nativas, reduz diversidade alimentar para fauna, alterando o equilíbrio e a autossustentabilidade desses sistemas.
Mas nem tudo é ruim nesta planta: os seus princípios ativos podem ser utilizados para controle de várias pragas em animais e plantas (outra espécie da família do cinamomo é o Neem, muito utilizado para estes fins). Já está comprovada a eficiência de seus princípios ativos no controle de carrapatos (Boophilus microplus). Pesquisas da Universidade Federal do Paraná demonstraram que o extrato alcoólico de frutos triturados mata larvas do mosquito da dengue. As folhas e frutos secos podem ser usados para proteger roupas armazenadas contra insetos. Eu já utilizei o chá de suas folhas para pulverizar meus cavalos para controlar as moscas no lombo, e tive resultados satisfatórios.
Boa ou má, esta árvore faz parte de nosso cenário urbano e rural. Para finalizar, peço um cuidado especial com as crianças, para que não venham a cometer o erro de ingerir o seu fruto tão convidativo, transformando esta sombra fresquinha em um pesadelo familiar. Abraços.