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Uma marca forte para o agronegócio brasileiro

Marcio Fonseca de Carvalho - marcio.carvalho@unisul.br

24 de Novembro de 2011 às 23:41min

Marcio Fonseca de Carvalho

 

Bom dia. Desde pequenos, estudamos que o Brasil é um país exportador de matérias primárias - na sua forma natural, sem beneficiamento -, como grãos de café, de milho, de soja, algodão e minérios. De forma reversa, importamos matérias já transformadas, como eletrônicos, alimentos e vestuário. O resultado é que muito dinheiro que ficaria no país acaba indo para outros continentes. 
O café é um produto interessante: um dos pós mais requintados e requisitados no mundo é o alemão, apesar deste país não possuir um pezinho sequer do grão.
 
Concorrência
O resultado poderia ser ainda diferente se o Brasil consagrasse as suas matérias primárias. Mesmo sendo grãos, poderiam ter a marca “Made in Brazil”, e isto asseguraria um valor maior de mercado. O café colombiano, por exemplo, é disputado no mundo inteiro para ser beneficiado. Isto foi conquistado com muito marketing e padronização do produto no país. Dizem ainda que, na falta de grãos, eles importam do Brasil e vendem como colombiano para não deixar seus compradores sem produto...
O trabalho é longo, dizem os especialistas, Especialmente porque os locais de produção e os produtores são muito diversificados. Pensemos na carne bovina, por exemplo, um produto muito exportado pelo Brasil. Em cada região, existe uma tendência de escolha das raças que constituem o boi abatido. Do sudeste para cima, o sangue Nelore predomina por causa da sua adaptação às essas regiões. Porém, confere uma qualidade inferior à carne, por causa do seu menor marmoreio. Conseguir modificar esta característica não é simples: passa por uma mudança tecnológica (inclusão de sangue bovino europeu), mercadológica e sociológica (mostrar para o criador o que é melhor). Por enquanto, estamos ganhando na quantidade, seja de carne ou de grãos. Mas as coisas podem mudar daqui a alguns anos.
 
Exemplo na região
Um exemplo regional do que deveria ocorrer é o caso do suco MacroVita, produzido em Braço do Norte. O que poderia ser apenas mais um suco de laranja tornou-se marca de qualidade. Hotéis e restaurantes que o adotaram no cardápio não querem mais saber de empregado espremendo laranja. Tudo porque os empresários primaram por um produto com diferencial marcante. Tanto é verdade que é mais comum pedir por “um MacroVita” do que por um simples suco. São exemplos que outros setores do agronegócio brasileiro poderiam e deveriam seguir, determinando uma marca forte para nossos agroprodutos. Abraços.

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