É inegável o apelo ecológico do uso da bicicleta. Vemos sobretudo os europeus irem para o escritório, para o banco usando a bicicleta. Achamos tudo aquilo muito charmoso, muito bonito, mas por aqui temos a triste mania de achar que quem anda de bicicleta é pobre, uma grande hipocrisia. As bicicletas são relegadas a segundo plano, precisam trafegar nas beiras das ruas e das estradas sem qualquer separação e muitos ciclistas morrem em acidentes evitáveis.
Benefícios
Todos sabemos os benefícios do transporte por bicicleta. É mais barato, mais saudável, mais sustentável e, dependendo da distância, mais rápido. Meu amigo e colega de graduação em direito Guilherme Zumblick, usuário constante da bicicleta, tem travado uma luta para ver implementadas políticas públicas para estimular o uso da bicicleta.
Cidades como Barcelona, Londres e Amsterdã resolveram priorizar a circulação de bicicletas, inclusive com preferência sobre os demais veículos.
O que poderia e deveria ser feito aqui?
A primeira condição é que existam ciclovias, mas ciclovias ou ciclofaixas de verdade, não uma mistura de pista de caminhada, cuzando a toda hora com o fluxo de veículos. Por falar nisso, a sinalização para os ciclos é sempre na cor vermelha, inclusive com pintura do pavimento, para facilitar o contraste, principalmente nas áreas de cruzemento. As ciclovias precisam ser separadas, precisam de manutenção.
É necessário também bicicletários em pontos estratégicos, próximos a terminais de ônibus, universidades e áreas de grande demanda de fluxo, que tenham segurança contra furtos e roubo de peças, que sejam cobertos, que tenham dispositivos para colocação de cadeados para travar a bicicleta. As grandes empresas poderiam criar estímulos, com critérios para premiar seus colaboradores que aderissem ao uso da bicicleta.
É preciso também banheiros públicos, principalmente em empresas, estimulando o uso da bicicleta. Nesses banheiiros, poderiam existir chuveiros, permitindo um banho rápido, já que vivemos em um país tropical.
Campanhas educativas precisam ser feitas depois de a cidade estar equipada, conscientizando ciclistas e condutores de veículos motorizados para o respeito mútuo, fiscalizar e punir os recalcitrantes, aqueles que insistem em desrespeitar o ciclista.
Na região
Finalmente, vale o registro de que, apesar de nos causar muito sofrimento e filas intermináveis, a nossa cidade recebeu uma beleza de ciclovia, com cerca de cinco quilômetros de extensão, ao lado da pista marginal da BR-101, ligando os bairros Revoredo e Morrotes, de ambos os lados da rodovia. Procurei, durante alguns dias, e ainda não vi nenhum usuário, nenhum ciclista usando esta beleza. Vamos usá-la, está lá para nossa alegria!!!