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Entrevista

A meta é o turismo de negócios

Para o presidente do Encantos do Sul Convention & Visitors Bureau, Ivan Cardoso, a logística da região favorece a atividade, uma das que mais cresce hoje no país.

28 de Janeiro de 2012 às 02:58min

Ivan Cardoso tem “só” 20 anos de experiência em turismo. A sabedoria acumulada nestes anos dá o currículo que a entidade precisa, e também a paciência que todo empresário e investidor deste setor precisa ter. “O turismo é uma atividade consolidada, o que falta mesmo é organização. O Encantos do Sul tem, hoje, somente 11 associados nos 18 municípios que abrange. Mas é assim mesmo: trabalho formiguinha”, avalia. Sempre otimista, Ivan acredita que a abertura do Aeroporto regional Sul, em Jaguaruna, dará outro fôlego à atividade. “Vai ser um salto enorme”, projeta.


Zahyra Mattar
Tubarão

Notisul - É possível fomentar o turismo integrado na região?
Ivan
- Pode parecer que não, especialmente porque falamos tanto sobre isso e ainda não vivemos esta realidade. Mas é possível sim, e não posso deixar de acreditar nisso, especialmente porque o trabalho do Encantos do Sul é baseado, entre outros pilares, nisso. Temos tudo a nosso favor. Não existe região melhor privilegiada. Hoje, uma das maiores dificuldade em vender nossos pacotes está na falta de logística. Os operadores têm dificuldade em organizar pacotes por conta disso. No novo material de divulgação da região, demos grande destaque para o Aeroporto Regional Sul e para o fato de que, aqui, o turista terá, em um raio de 80 quilômetros, praias, serra, turismo rural e de aventura e águas termais. Existem outros ramos onde temos grande potencial, mas estes são os melhores segmentados no momento.

Notisul - Quais outros ramos?
Ivan
- O de negócios, por exemplo. Com a universidade, abre-se esta oportunidade. Mas hoje não existe como fomentar este segmento, porque não temos uma estrutura adequada para isso. Neste sentido, a Arena Multiuso, apesar das críticas de muitos em o estado e a prefeitura de Tubarão investirem nesta obra, será o grande diferencial. Temos também o turismo ferroviário. Tubarão é um dos únicos locais no mundo onde este segmento pode ser trabalhado. Mas falta também estrutura. Outra questão a ser trabalhada é que na atividade turística nada é imediato. Não é fácil fazer as pessoas, os empresários, entenderem isto.

Notisul - O fato de ter tantos segmentos não atrapalha para gerenciar tanta coisa?
Ivan
- Não. A praia, por exemplo. Vendemos como destino turístico, o que falta é organizar melhor o que o turista vai encontrar na praia. É esta integração que ainda não ocorreu. Tem a baleia franca, tem a pesca com os botos, tem os esportes aquáticos. O problema é que quem vem ver a baleia não recebe a indicação para ir ver os botos. E se chove? O que o turista vai fazer? Ele não recebe a informação de que tem instâncias termais e centros comerciais. Muitos empresários acham que, se indicarem outras cidades, perderão o cliente. Na verdade, é o contrário. O turismo se faz muito no boca a boca. A divulgação especializada é imprescindível, mas a impressão levada pelo turista é o cartão de visita.

Notisul - Então, hoje não temos um pacote integrado?
Ivan
- Não. Nos falta isso e a logística. Sem o aeroporto, temos apenas a BR-101. E, convenhamos, do jeito que está fica difícil vender a região lá fora. Já não é fácil fazer isso no estado. As pessoas não conseguem chegar. Está longe de conseguirmos organizar o setor? Prefiro dizer que já estivemos bem mais longe.

Notisul - Você fala muito na falta de logística, mas a região tem condições de sediar eventos para milhares de pessoas?
Ivan
- Aí é que está. Como nunca, tivemos a logística, a rede hoteleira, por exemplo, não cresceu a ponto de oferecer dois mil leitos para um evento de negócios na cidade, por exemplo. Também não adianta o empresário ir lá e ampliar os seus negócios se não terá retorno. As ações, no momento, precisam ser do tamanho em que comportamos. Com o tempo, haverá crescimento. Se não podemos sediar um evento para duas mil pessoas, vamos de mil, mas vamos. É a velha história da construção da casa: não pode começar pelo telhado, tem que ser pelo alicerce.

Notisul - Como você encara o investimento feito na rodovia Serramar?
Ivan
- Vai ser, também, um diferencial grande para a região. Estes dias, escutei alguém falar sobre o nome, que Serramar não era bom. E olha o imediatismo novamente. A obra nem bem começou. Depois batiza de qualquer coisa melhor. Acredito que este investimento puxará outros. Já imaginou sair de barco de Tubarão e ir para Laguna, visitar os museus, o centro histórico? Ou então vir de Laguna comprar em Tubarão, passar o dia nas águas termais? Mas temos que ir com calma. Não adianta ter o barco se não tem estrada para ir até o barco.

Notisul - Então, a grande meta é essa? Fomentar a integração turística?
Ivan
- Isso, mas acima de tudo buscar a maior participação da classe empresarial no Encantos do Sul. Não podemos trabalhar sozinhos, temos que ir juntos. Muitos confundem e acham que o grupo é de Tubarão. Não é.

Notisul - Qual o perfil do turista que visita a nossa região?
Ivan
- Por incrível que pareça, a movimentação turística na região já maior este ano, no comparativo com o mesmo período de 2011. A diferença é que até então recebíamos muitos paranaenses, paulistas. Hoje, a maioria dos visitantes que encaram a jornada é gaúcho, porque a duplicação da BR-101 privilegia mais o estado do sul do que os do norte. As notícias da BR-101 fizeram com que paranaenses e paulistas evitassem vir para cá. Por isso, precisamos deste aeroporto em funcionamento o mais rápido possível.

Notisul - Existe algum trabalho em desenvolvimento para alavancar, também, o turismo regional?
Ivan
- Existe, mas também há resistência das pessoas daqui conhecerem sua própria região. As pessoas vão para as instâncias termais do Paraná, que são ótimas, mas não conhecem Termas da Guarda, em Tubarão, ou Termas do Gravatal, aqui do lado. Pode pesquisar nas ruas. Pergunta para dez tubaronenses se ele conhece as termas. Nove dirão que não. Tenho colegas que foram para o Termas Jurema (PR). Quando voltaram, perguntei: e daí, gostaram? Tem algo diferente daqui? A resposta: não, é igual. Pois andaram quilômetros para ver algo que têm no quintal de casa. Tem gente que é gabaritado em nordeste e não conhece a praia da Teresa, em Laguna, uma das mais belas da região. Mas aos poucos esta realidade está mudando um pouco.

Notisul - Mudando como?
Ivan
- Antes, apenas a terceira idade procurava os hotéis termais em Tubarão, por exemplo. Hoje, recebemos muitos casais jovens de Sangão, Braço do Norte, Criciúma e até mesmo Tubarão. Durante o Carnaval, por exemplo, o Termas da Guarda, hotel que gerencio, está com boa parte das reservas feitas. São pessoas de Laguna, Imbituba e do Vale que não gostam do agito e virão para cá. E muitos deles são jovens. Isto, antes, não ocorria. A mudança no perfil do nosso turista, hoje, é uma realidade e fruto de um trabalho desenvolvido há anos. O turismo regional é feito muito no boca a boca, mais do que turismo estadual ou nacional. Um casal vem, gosta, chama os amigos, que chamam os amigos e assim por diante.

Ivan por Ivan

Deus: É tudo.
Família: Sem igual.
Trabalho: Faz bem para a mente.
Passado: Já foi.
Presente: Viver junto com as perspectivas traçadas para o futuro.
Futuro: Incerto, imprevisível.

"As vezes um pouco otimista demais. Mas acho que tem que ser assim. Vamos colher os frutos do que plantamos. Não será hoje, quem sabe não será amanhã, mas vamos ter uma boa safra um dia!"

"A reformulação da Feincos foi uma sacada de mestre. Não é apenas o turismo que é fomentado, mas a indústria, o comércio, a gastronomia. E a região tem condições de sediar eventos como este. É o caminho mais seguro e rápido para alavancar um segmento para o qual temos grande potencial: o turismo de negócios. Esta é uma das principais metas, hoje, do Encantos do Sul." 

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