Notisul - De vereador para secretário de estado. Como foi isso?
Christiano - Sou vereador de segundo mandato, em Imbituba, e, até o ano passado, era o presidente da casa. No dia 31 de dezembro, me preparava para voltar a advogar - o presidente do legislativo é impedido, pelo estatuto da OAB, de exercer a profissão - quando fui surpreendido com o convite do deputado estadual Zé Nei Ascari para ser candidato do partido à SDR, e aceitei.
Notisul - Não sei se é possível comparar, mas você não levou um susto quando mudou? Queira ou não, a responsabilidade e o trabalho são outros.
Christiano - Não diria susto, mas tive que dar aquela respirada (risos), estava ansioso. Em Imbituba, na câmara, conhecia todo mundo. Estava em casa. Agora, é diferente. São funções públicas, mas muito distintas. Mesmo assim, o maior problema, para mim não foi o fato de sair da câmara para uma secretaria de governo, mas sim o fato da sede ser em outra cidade. A SDR sempre teve pessoas da terra no seu comando e de repente chegou um estrangeiro (risos). Foi um pouco difícil este começo, mas isto, hoje, está mais do que superado e tenho uma relação muito boa com as lideranças políticas e de classe da cidade.
Notisul - Então, você conseguiu tirar a barda de que a SDR é em Laguna e não de Laguna?
Christiano - (Risos) Não sei se já consegui, mas esta é uma meta. Ouvi muitas reclamações em outras cidades, de que a SDR era muito voltada à sede. Para tentar mudar isso, comecei a estar mais presente nos outros municípios. Vou constantemente para Paulo Lopes, Garopaba, Imaruí. É uma agenda de louco, mas é o compromisso que assumi quando aceitei o desafio.
Notisul - E então, estrangeiro, como foi montar a equipe?
Christiano - (Risos) Ah, isso foi um pouco difícil também. Todos sabem que o cargo é político. No meu caso, foi um pouco traumático porque precisava de tudo funcionando e rápido, mas tinham questões partidárias para serem sanadas. Cada deputado quer ocupar sua vaga, aí é uma loucura. Hoje, garanto, conseguimos formar uma equipe ótima, jovem e dinâmica. Os cargos são políticos, mas as pessoas que os ocupam são técnicas. O gerente de saúde é farmacêutico, o de infraestrutura é engenheiro, por exemplo. Tive a felicidade de conseguir fazer os dois: satisfazer o lado político do negócio e ainda conseguir pessoas certas para os cargos certos.
Notisul - A SDR em Laguna sempre ficou abaixo das expectativas. O ex-governador Luiz Henrique da Silveira dizia que tinham caveiras de burro enterradas por lá (risos). Será que agora vai?
Christiano - Espero que vá (risos). Mas assim, em que pese a boa vontade de todos os meus antecessores, não gosto e não vou me comparar com ninguém. Tenho um estilo diferente e prefiro eu mesmo construir minha história. Não sei se vai ser correto dizer isso, mas descobri o caminho de pedinchar (risos). Ligo para Eduardo Moreira. Ele tem fortes laços com a região. Foi assim com a UTI no Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos, em Laguna. Quando pedi os dez leitos, todos ficaram com o pé atrás: “Mas Laguna?”. Argumentei. “Sim, claro. Investimento excelente. Ajuda a desafogar Tubarão, Criciúma”. Deu certo. Hoje, estamos em obras e já articulamos para adquirir os equipamentos necessários. Não paro para pensar como, o importante é que está dando certo. E vou seguir neste caminho.
Notisul - Hoje, são cinco municípios, amanhã serão seis. Como está a organização para receber Pescaria Brava?
Christiano - Literalmente, em fase de organização, até porque os recursos são os mesmos e as necessidades são maiores. Mas acredito que, com um bom planejamento, é possível fazer muito. É assim na minha casa, fiz deste jeito na câmara. A escola já está em reforma e um ginásio será instalado, possivelmente no próximo ano. Algumas ruas foram calçadas e agora trabalhamos para pavimentar a estrada que liga Laguna com Imaruí por Pescaria Brava. Também haverá investimentos em saúde e infraestrutura.
Notisul - A reclamação do povo é estrada. Pode ter tudo, mas se a estrada não está boa... A sua região é deficitária neste sentido. Algum projeto?
Christiano - Deficitária? Não... imagina! (risos) A SDR em Laguna tem 145 quilômetros de estradas estaduais. Deste total, 86 quilômetros são de chão batido. É mais da metade. Coloquei como meta no governo de Colombo pavimentar metade: 43 quilômetros.
Notisul - Você fica secretário até quando?
Christiano - Se Colombo não me tirar antes (risos), fico até abril do próximo ano, prazo final para a desincompatibilização. Concorro à prefeitura de Imbituba em 2012, meu grande sonho. Tudo que fiz na minha vida foi com o mesmo objetivo: ser prefeito de Imbituba. Fiz direito por causa disso. Na câmara, fiz administração pública para me preparar melhor.
Notisul - Então, pelo visto, seus laços com o prefeito Beto estão definitivamente desmanchados.
Christiano - Ele é uma ótima pessoa, mas politicamente estamos, sim, afastados. Tínhamos um acordo e aí, por alguma razão que sinceramente não sei qual é, Beto nos chamou e disse que a cúpula tucana considera Imbituba uma cidade estratégica e não abrirá mão de ter candidato. Nos ofertou novamente a vaga de vice e disse que era isso ou a expulsão da prefeitura. Sinceramente, não acreditávamos que ele faria isso, mas fez, e por telefone. Se não estamos mais no mesmo grupo, o correto é cada um seguir seu caminho com respeito e dignidade.
Notisul - E se você não se eleger?
Christiano - Daí continuarei meu trabalho e tentarei novamente. Persistência é a atitude certa. E eu sou muito, mas muito persistente.
Notisul - Já pensou no vice?
Christiano - Já e não. Estamos em conversa com sete partidos: PT, PDT, PSB, PSC, PRB-10, PV e parte do PMDB. Mas ainda não está definida uma coligação.
Notisul - E após a prefeitura?
Christiano - Não tenho pretensão de seguir na política. A meta, hoje, é voltar a advogar e viver a vida!
Christiano por Christiano
Deus: Fundamental.
Trabalho: Uma paixão.
Família: Meu alicerce.
Passado: Parte de construção da minha vida.
Presente: Satisfação de poder mostrar o meu trabalho.
Futuro: Ser prefeito de Imbituba.
O mais difícil foi que peguei um governo, ao mesmo tempo, de continuidade, porque é o mesmo grupo, mas um novo governo. O pezão foi para o freio e a ordem era para avaliar, traçar prioridades... e eu lá: ansioso para ver as coisas ocorrerem de fato. Aí você vê uma SC-100 paralisar, as escolas precisando de reformas. Hoje, o ritmo é outro. Para cada cidade, pode fazer o teste, sei te dizer uma obra, uma ação do estado que ocorre neste exato momento.