A crise no setor da suinocultura, especialmente em Santa Catarina, atinge com maior impacto os produtores independentes. O centro do problema está na grande oferta de produto para uma demanda estagnada.
As estimativas de produção para este ano são de 800 mil toneladas, com destinação de 200 mil para consumo dos catarinenses, 150 mil toneladas para exportação e uma sobra de 450 mil toneladas.
O reflexo direto é o baixo preço pago ao consumidor. Se a crise traz uma lição é de que não é mais possível produzir em larga escala - principalmente pelo alto custo - sem ter contrato da comercialização.
“Isto é absolutamente irreal. A produção deve ser integrada. Tanto que os que atuam desta forma conseguem suportar melhor a crise. O cooperativismo é uma saída pata atenuar a situação e fortalecer o setor”, pondera o secretário estadual adjunto da agricultura, Airton Spies.
O gestor atenta também que a mudança no modelo produtivo, a exemplo do Vale do Braço do Norte, onde a maioria dos empreendedores atua de forma independente em pequenas propriedades, também é válida para a pequena agroindústria.
Hoje, o alto preço da soja e do milho, os dois principais insumos da atividade, eleva ainda mais o custo da produção. Cada saca de 60 quilos custa, em média, R$ 27,00. O governo catarinense já toma medidas para aliviar esta questão.
Hoje, a cada suíno de 100 quilos criado, o produtor tem um prejuízo de R$ 90,00. A situação é tão preocupante que as prefeituras de Braço do Norte e Grão-Pará, no Vale, chegaram a decretar situação de emergência há duas semanas.
Novas medidas são adotadas pelo estado
O governo catarinense anunciou ontem, no fim da tarde, que isentará o ICMS Interestadual para venda de suíno por 30 dias. A medida passa a valer na próxima segunda-feira. A decisão atende a uma reivindicação apresentada pelos suinocultores das regiões de Concórdia, no oeste, e Braço do Norte.
Na semana passada, o estado já havia anunciado outras medidas, como o aumento da oferta de carne suína nas refeições oferecidas pelo estado nas escolas, abrigos e centros de atenção social, hospitais e nos presídios.
Uma campanha para incentivar o consumo do produto também começou a circular na mídia. Hoje, a média é de 25 quilos de carne suína per capita por ano no estado (quase o dobro da nacional, que é de 14 quilos per capita por ano).
O estado também já havia confirmado a isenção da cobrança do ICMS na comercialização de leitão de até 30 quilos por 30 dias.
Proposta não agrada o setor
Incerteza é a palavra, no momento, que melhor define a situação da suinocultura no Brasil. Ontem, em Brasília, o ministro da agricultura, Mendes Ribeiro Filho, bem que tentou injetar ânimo aos produtores, mas o clima foi o de insatisfação.
O governo federal confirmou a abertura de uma linha de crédito especial, no valor de R$ 200 milhões, para aquisição de leitões ao preço de R$ 3,6 o quilo. O financiamento pode ser acessado por produtores, agroindústrias, cooperativas e varejistas, com juros de 5,5% ao ano.
A medida, reclamam os empreendedores do ramo, não alivia a crise, já que impacta momentaneamente. O financiamento terá que ser pago em algum momento e o ‘q’ da questão está em se os produtores terão como honrar estas dívidas lá na frente.
Mendes Ribeiro também anunciou que o governo da Albânia confirmou ontem a reabertura do mercado de suínos brasileiro. Segundo ele, ainda este mês, uma missão russa virá ao país visitar frigoríficos.
Nenhuma das notícias agradaram. Especialmente porque as duas maiores reivindicações do setor não integraram a pauta de anúncio. Uma delas é a inclusão da carne suína na política de garantia de preços mínimos.
A outra é a implantação do Programa de Escoamento de Produção, no qual o governo subsidiaria R$ 0,40 por quilo da carne. A crise na suinocultura arrasta-se desde 2007. No ano passado, chegou ao ápice. De lá até agora, os produtores não conseguem sequer pagar o custo.