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Elita de Medeiros: Professora de língua inglesa • Tubarão • elita.medeiros@unisul.br
28 de Janeiro de 2012 às 02:20min
Houve um tempo em que falar uma língua estrangeira era diferencial no currículo, sendo considerado um luxo a que poucos podiam se dar. Com o avanço tecnológico e as comunicações instantâneas, uma língua comum se fez necessária nesse meio e, a exemplo do latim que, muitos anos antes foi a língua dos eruditos, a língua inglesa é, hoje, uma necessidade para os que desejam alcançar sucesso no mercado de trabalho em inúmeras funções.
Ainda existe resistência por parte de muitos estudantes a aprender uma língua estrangeira, mas o que está na boca do povo não passa despercebido: até o sertanejo universitário rendeu-se a um segundo idioma.
Retornando de uma visita a três países do cone sul nas primeiras semanas de janeiro, brinquei com amigos dizendo que saí do Brasil para ouvir Michel Teló em espanhol - pasmem, na Argentina, no Chile e no Uruguai, nas rádios locais. Pude ver e ouvir crianças cantando o sucesso do brasileiro em praças e pontos de ônibus. Os pequenos de lá não são diferentes dos daqui.
No final da segunda semana deste mês, foi veiculado, no Youtube, o vídeo do cantor com uma versão em inglês da mesma música. Que lição se pode tirar disso? Que, além de saber o que seu público quer - do contrário não faria sucesso -, o cantor também sabe da importância de um segundo idioma e apostou no inglês, pois já existem versões em espanhol para sua música. Certamente, não lhe falta trabalho ou boa remuneração, mas é preciso estar atento às necessidades do momento, mesmo que a pronúncia não seja um primor.
O próprio Zezé de Camargo confessou, em entrevista a um programa de televisão, tempos atrás, que imitava a pronúncia das músicas no início da carreira por desconhecer o idioma, mas que estudou depois e seus filhos, inclusive, viveram e estudaram no exterior.
Via-se, até bem pouco tempo, músicos brasileiros gravando versões de músicas principalmente em língua inglesa e, como professora, cheguei a propor a alguns alunos que fizéssemos o contrário: buscar músicas interessantes no repertório nacional e fazer versões em inglês, tendo presenciado trabalhos memoráveis, destaque para a versão de um aluno para Malandragem, de Cássia Eller.
Técnicas de ensino à parte, a lição de Teló é de extrema importância: acompanhar as tendências da atualidade para manter o sucesso - ou estar preparado para as oportunidades que surgem já sabendo uma língua estrangeira de antemão.
A resistência de estudar inglês que muitas pessoas têm justifica-se pela diferença de vocabulário, já que é preciso aprender um imenso número de palavras, além das diferenças na estrutura.
Poucos devem saber que, estima-se, a língua inglesa apresenta aproximadamente 40% de suas palavras de origem latina, o que traz grande semelhança com nosso idioma e facilita a memorização. Apenas para citar alguns exemplos, várias palavras que terminam em “ção” em português terminam em “tion” em inglês, como competition, nation, sensation e observation; ou a palavra cidade e aquelas que terminam com ela, que passam para city, velocity ou simplicity; também várias terminadas em “mente”, que passam a ter o sufixo em inglês lly, como orally, naturally ou genetically, ou as terminadas em “ência” em português, que passam a ter o sufixo ence em inglês: reverence e essence, além das que mantêm grafia idêntica, como total, original e natural, sem qualquer alteração no significado. É claro que estas dicas não funcionam para todas as palavras da língua inglesa com tais terminações, mas facilitam e muito a aquisição do vocabulário, não servindo de justificativa como fator de dificuldade.
No caso da diferença estrutural, a língua inglesa mantém uma semelhança muito maior com o latim do que a própria língua portuguesa, mas esta, como língua morta, permanece apenas em nomenclaturas científicas e dentro dos muros do Vaticano. Contudo, basta perceber que, como língua, os traços culturais são mais marcantes que parecem. Ao estudar inglês, os falantes de língua portuguesa estranham a presença do adjetivo antes do substantivo, já que ocorre o contrário na língua que já é mais nossa que de Camões, pois a evolução foi tão grande que o autor de Os Lusíadas pouco ou nada entenderia de uma conversa com um jovem de nossa época: falantes de português iniciam o reconhecimento pela parte (o substantivo, a coisa) e depois observam o todo (o adjetivo, as qualidades); os falantes de língua inglesa fazem o contrário - primeiro uma espécie de reconhecimento da área (o todo, os adjetivos, as qualidades) para depois a parte (o substantivo, a coisa). Assim, justifica-se a inversão, onde “garota bonita” passa a ser “beautiful girl”; casa verde, green house e assim por diante.
Talvez seja preciso olhar o mundo como um todo e perceber que aprender uma segunda língua só traz benefícios: além de permitir a comunicação com pessoas de diversas nacionalidades - eu mesma já conversei em Inglês com uma sueca e três franceses na viagem pelo cone sul - ainda nos faz perceber melhor nossa própria língua, mantém o cérebro ativo e dá a oportunidade de fazer amigos no mundo inteiro, pois o Inglês é ensinado e aprendido como língua estrangeira praticamente no mundo inteiro, além de ser o idioma predominante nos meios tecnológicos, como a internet, e científicos, já que as principais publicações de peso são nessa língua.
Precisamos aprender a lição do sertanejo universitário: quem está atento às tendências, fica na parada de sucessos; quem não se adapta, fica parado!

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