Alessandra Psicóloga

Opinião

Dia Nacional da Consciência Negra

Maurício da Silva - Professor e vereador  Tubarão. Contato: mauriciosilva@unisul.br.

20 de Novembro de 2007 às 00:00min

Dia 20 de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. Nesta data, em 1695, foi assassinado Zumbi dos Palmares, líder negro que comandou a maior e mais bem organizada resistência à escravidão, através dos Quilombos. De alguns tempos para cá, esta data vem sendo rememorada em diversas cidades do Brasil com palestras, seminários, debates, etc., e em algumas é feriado, como no caso do Rio de Janeiro.

O resgate do evento é importante, não apenas para lamentar a crueldade da escravidão, que por mais de 300 anos degradou milhares de vidas, e cujas conseqüências perduram até hoje, mas, em especial, para compreender uma das engrenagens que mantém o Brasil distante de ser, de fato, a nação republicana, como se comemora, ironicamente, cinco dias antes.

A historiografia oficial disseminou, principalmente através dos livros didáticos, que a abolição da escravatura foi dádiva da princesa Isabel, contrariando interesses dos poderosos da época. Não houve, na verdade, bondade, tampouco maldade, mas a busca de riqueza e poder à custa de vidas humanas. A escravidão fez-se para gerar lucro e desfez-se pelo mesmo motivo.

As máquinas e os imigrantes estavam chegando e escravo não podia ser consumidor, porque não tinha salário. Minimizou-se, então, na versão oficial, a luta dos escravos para difundir a idéia de passividade destes e de liberdade dada. Passados 119 anos da “libertação”, milhares de afro-descendentes ainda sentem o peso da discriminação, refletida na restrição das oportunidades, e o povo, de forma geral, continua à espera do(a) novo(a) redentor(a), ou do salvador da pátria, como queiram.

E, há os que querem e se dispõem a sê-lo. Já tivemos o “pai dos pobres”, o “defensor dos descamisados” e o “distribuidor de bolsas”, sem contar com milagreiros (ou embusteiros) locais. No entanto, um terço da população brasileira (sobre)vive abaixo da linha da pobreza e da dignidade.

Recordar, reverenciar Zumbi é lembrar que: 1) liberdade não se ganha, conquista-se; 2) o Brasil republicano, proclamado há 118 anos, somente se efetivará com, a) educação de qualidade para todos, b) participação das comunidades na vida política do país, c) formação de instituições sólidas, que garantam os direitos de todos e, d) colocação dos interesses coletivos acima dos interesses individuais e até da própria vida, como fez Zumbi.

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