O hino da Campanha da Fraternidade de 2008 iniciava com os seguintes versos:
“Com carinho, desenhei esse planeta, com cuidado aqui plantei o meu jardim, com alegria eu sonhei um paraíso, para a vida dom de amor que não tem fim”.
É uma letra que retrata de fato o sonho de Deus, que é a felicidade para toda a humanidade, obra de suas mãos. Infelizmente, durante toda a história, o sofrimento fez e faz parte da vida. Mas isso não é e nunca foi vontade de Deus, uma vez que Ele criou-nos para sermos felizes. Deus é pai e, como todo bom pai, deseja a felicidade dos seus filhos, ou seja, nascemos para sermos felizes. Um mundo melhor, sem tantas guerras, sem tanta violência, onde reine a paz, é isso que o autor da existência deseja para nós.
Cristo motrou-nos o rosto do criador, como diz o papa Bento 16, “Jesus, rosto divino do homem e rosto humano de Deus”. Podemos assim concluir que o Mestre, ao se fazer homem, veio para trazer o céu à Terra, e, para que isso aconteça, é necessário que o sofrimento humano diminua. No divino amor de Deus, não existe paz verdadeira enquanto muitos de seus filhos estejam sofrendo. É preocupante ver tanta gente dizendo que encontrou Jesus numa fé baseada em “milagres”, mas é incapaz de reconhecê-lo na pessoa dos pobres e necessitados. Muitas vezes, na forma humana de se conceber o amor, é como se fosse necessário que alguém tenha que sofrer para que outros tenham uma vida melhor.
O cristão precisa da “paz inquieta” que nos fala o Pe. Zezinho, que é aquele sentimento de sentir-se em paz com Deus, mas não se calar mediante as injustiças. Madre Tereza, Padre Pio, Dra. Zilda e tantos outros transmitiam paz aos que os rodeavam, mas isso não era motivo para que eles se acomodassem, muito pelo contrário, foram protagonistas na história, salvaram muitas vidas, porque entenderam a grandiosidade do amor de Deus.
Não se pode imaginar que existe amor verdadeiro pelo ser humano se eu me conformo com a situação e luto apenas pelo que me interessa. Levantar as mãos e louvar é muito mais fácil do que estender a mão aos necessitados.
Como dizia o Pe. Werenfried, fundador da Ajuda à Igreja que Sofre, precisamos enxugar as lágrimas de Cristo onde Ele chora, pois está presente em cada ser humano especialmente nos pequeninos e necessitados.
A amor dever ser visto como algo que visa não apenas o bem-estar individual, mas o coletivo, não permitindo que nos acomodemos em nossos lares e façamos de conta de não podemos fazer nada. Michael Jackson, na letra da música “We are the world”, falava que “nós não podemos continuar fingindo todos os dias que alguém, em algum lugar, irá em breve fazer a diferença”. Precisamos mostrar que cremos em Deus não apenas com palavras bonitas, e sim com gestos e atitudes que tornem o mundo melhor, pois, sempre que agimos para fazer alguém feliz, um sorriso a mais existirá no mundo.
Precisamos entender que, como diz a mesma canção acima mencionada, “nós somos todos parte da grande família de Deus”.
Concluo com as palavras do Pe. Zezinho ao dizer que “o cristão verdadeiro tem que ter os olhos no céu, mas os pés bem firmes no chão”, pois a Mãe Terra precisa de nós, e devemos trabalhar para que o sonho de Deus se realize.
O amor divino deseja vida para todos e precisamos fazer a nossa parte.