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Opinião

Soberania não está à venda

Sergio Sebold: Economista e professor independente. • sebold@terra.com.br

26 de Janeiro de 2012 às 19:26min

A Copa do Mundo de 2014 será um grande momento de congraçamento universal, e isto me dá grande alegria por ser no Brasil. O esporte sempre foi um moderador dos impulsos da juventude, também como estimulador de boas virtudes pelo seu grau ético. Uma das virtudes é o desestímulo a bebidas alcoólicas, cigarro e outros vícios.

Pelo lado econômico, serão novos empregos no país. Sendo uma competição de nível internacional, é necessário seguir certas regras do evento. Por sua vez, a Fifa, organizadora do evento, transformou-se numa gigantesca multinacional do esporte, entidade não econômica (?) que visa aproximar os povos através do futebol, hoje uma paixão universal. Entretanto, esta multinacional transformou-se num monstro com tentáculos de interesses comerciais, tanto pela mídia, como por produtos correlatos à sua atividade. Sua importância acabou criando um mercado próprio onde, a cada evento, forma-se um leilão pelo número de países interessados.

Nossos estádios estão em estado deplorável, assim como outras exigências (aeroportos, hotéis, alojamentos, infraestrutura etc.), onde foram feitas várias exigências técnicas, para maior brilhantismo do evento. Tudo isso está se cumprindo. Entretanto, por trás desta sigla, há poderosos interesses comerciais, onde uma delas é a da cerveja.
Vem se fazendo um esforço através da Comissão Permanente de Adoção de Medidas de Prevenção e Combate à Violência nos Estádios de Futebol, para uma cultura de sobriedade em bebidas alcoólicas tal é o estrago da violência que vem sofrendo a sociedade por este viés. São medidas que felizmente estão surtindo efeito.

Para nossa surpresa, vem a entidade (Fifa), através de seus escalões, insistir na liberação das bebidas alcoólicas na Copa, numa atitude arrogante de querer obrigar nossas instituições a mudar um conceito já implantado da não bebida alcoólica (cerveja) nos estádios; com argumento falacioso de exceção, apenas durante a Copa para maior “brilhantismo”. A comissão manifestou repúdio, claro, e veemente por qualquer mudança na atual política de bebidas nos eventos esportivos.
Somos um país soberano, jamais poderá se curvar aos interesses empresariais. Este assunto não deve ter espaço para qualquer tipo de discussão. Está na hora de fazer um basta: a soberania não está à venda.  

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