Início Segurança 19 acusados presos na Operação Fim da Linha ganham liberdade em Imbituba

19 acusados presos na Operação Fim da Linha ganham liberdade em Imbituba

Imbituba/Imaruí

O juiz responsável pelo julgamento da Ação Penal nº. 0000140-74.2018.8.24.0029 determinou, após julgamento que fossem revogadas todas as prisões preventivas dos acusados por tráfico de drogas na cidade de Imaruí, entre outros crimes, presos durante a Operação Fim da Linha que por três meses investigou, identificou e prendeu membros da facção criminosa Primeiro Grupo Catarinense, chefes do tráfico e criminosos com extensa ficha policial.

O promotor substituto da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Imbituba, Victor Abras Siqueira, apresentou Recurso contra a decisão do magistrado no mesmo dia do julgamento da ação penal, realizado nas dependências da Câmara de Vereadores de Imbituba.

Segundo ele, “os indícios de autoria dos crimes no processo são fartos e apontam que os representados integram a organização criminosa denominada PGC/”PGI”, estando estruturalmente organizados mediante a divisão de tarefas para a prática dos delitos de tráfico ilícito de entorpecentes, associação para o tráfico ilícito de drogas, posse/porte de arma de fogo, corrupção de menores, dentre outros, na Comarca de Imaruí e região. Além disso, as testemunhas de acusação já ouvidas em juízo, apontam com clareza e segurança a participação dos envolvidos nos referidos crimes”.

Os líderes do Primeiro Grupo Catarinense apontados no processo e responsáveis por decisões da facção criminosa em Imaruí são Jhony da Silva Hipólito, Aylla Gabrielle Hissi, Everton da Silva, Valdomiro Marques de Carvalho e um adolescente de iniciais R.M., entre outros.

Jhony é conselheiro do PGC na região de Imbituba e Imaruí e é apontado como um dos “reis” do tráfico na região, também líder de outra organização criminosa com atuação em Imbituba e Garopaba, descoberta durante as investigações referentes à “Operação Bravo Zulu”, realizada pelas Polícias Civil e Federal, em março deste ano.

Aylla, também conhecida por Ronda, é apontada como membro do PGC na região Sul, da “frente feminina do PGC em Santa Catarina”. Ronda é chamada de “A Dama do Tráfico” e à ela são atribuídos pelo menos 16 homicídios. 

Além de ser líder superior do PGC de Imaruí, a criminosa tem amplos poderes dentro do grupo, inclusive é ela quem realiza os julgamentos dos membros, sendo apontada como mandante de diversas punições, inclusive de homicídios de integrantes do grupo que descumprem as regras por eles impostas.

Everton também é apontado no Inquérito Policial como membro do PGC na região de Imbituba e Imaruí. Considerado braço direito de Jhony,  possui poderes para convocar reunião do grupo criminoso, nas quais pode até ser decretada a morte de terceiros. Além do papel de liderança na organização, Everton também é o responsável por angariar o dinheiro dos dizimistas, nas cidades de Imbituba e Imaruí, e repassar o quinhão para a Torre do PGC em Florianópolis, cujo recolhimento dos valores era providenciado por membros que ele determinava, incluindo o denunciado Marcelo da Silva Inácio. O braço direito de Jhony também está associado ao tráfico, sendo um dos que comanda a distribuição de drogas em Imaruí.

A célula criminosa é composta, ainda, por Valdomiro Marques de Carvalho, vulgo “Mirinho”, indivíduo com extensa ficha criminal.

Ao todo, tiveram a revogação da prisão preventiva 19 acusados, envolvidos em crimes de tráfico de drogas, associação ao tráfico, corrupção de menores e diversos homicídios, dentro e fora da facção criminosa a qual pertencem, segundo aponta o Inquérito.

Na decisão, o magistrado declara:

“Conforme decisão oral, revogo as prisões preventivas de todos os acusados, à exceção de Mayara que já está em liberdade, fixando medidas cautelares diversas da prisão”.

Os acusados, sem exceção, terão que usar tornozeleiras eletrônicas e individualmente obedecer algumas exigências judiciais para responderem aos crimes em liberdade.

Além da revogação das prisões preventivas, outra afirmação do juiz na decisão diz respeito a preocupação com a ordem pública caso os acusados fossem soltos por existir um sentimento de revolta e vingança contra eles em Imaruí.

O juiz também discordou do posicionamento, inclusive da Polícia no caso

“Agora em relação ao requisito da ordem pública, o principal fundamento da prisão preventiva dos acusados, porque conforme disse a autoridade policial, ouvida na segunda-feira pela manhã, existia sentimento de vingança na cidade Imaruí, já se passaram mais de 6 meses da prisão dos acusados, eu entendo que a cidade Imaruí, tem a obrigação de receber os seus filhos que estão aqui segregados não tenho conhecimento de que ainda esteja abalada e que passado todo esse tempo a cidade tem que recebê-los, para que lá possam conviver, trabalhar e viver em prol da sociedade”.

Operação deu duro golpe no tráfico de drogas

A Polícia Civil, por intermédio das delegacias de Polícia de Imaruí e de Imbituba, com apoio de todas unidades policiais civis da 18° Delegacia Regional de Polícia de Laguna (DPCo – Garopaba; DPMu – Paulo Lopes; DIC, DPCAMI e DPCo – Laguna; DPMu – Pescaria Brava; bem como DECOD – Florianópolis; SAER/Sul e, ainda, com o auxílio da Polícia Militar de Santa Catarina, deflagraram a Operação “Fim da Linha” na manhã do dia 19 de abril de 2018. 

Coordenada pelo delegado de polícia de Imbituba e Imaruí, Juliano Baesso, a Operação teve por objetivo desmantelar uma organização criminosa especializada no tráfico de drogas, e que atuava predominantemente nas cidades de Imaruí, Imbituba e Garopaba, com ramificações na Grande Florianópolis. 

Naquela data foram cumpridos 17 mandados de prisão, um mandado de busca e apreensão de adolescente e 13 mandados de busca e apreensão pessoal e domiciliar na região e na capital.

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