Professor da Unisul monitora onças no Pantanal

Professor da Unisul monitora onças no Pantanal

Joares May participa do projeto há cinco anos, enquanto se dedica a outras ações de preservação ambiental

Tubarão

Neste sábado, o trabalho de um professor tubaronense será destaque nacional. Joares May, que dá aulas para os cursos de Medicina Veterinária e Biologia na Unisul, faz parte de um grupo que monitora onças-pintadas no Pantanal. A pesquisa foi tema de reportagem do programa Como Será?, da TV Globo, e deve ir ao ar às 7 horas deste sábado.

Formado em Medicina Veterinária pela Udesc em 1997, May tornou-se mestre pela USP, e desde 2008 se dedica a estudar a onça-pintada. Há cinco anos, entrou para equipe do Projeto Onçafari, que monitora a espécie no Pantanal para promover a prática do ecoturismo. Mas desde o início da carreira May está envolvido em ações de preservação ambiental. Brasil afora, trabalha também com conservação da fauna, do lobo-guará e de grandes felinos.

Nascido em Tubarão, dá aulas na Unisul há cinco anos e ainda oferece suporte como veterinário a projetos de conservação em Belize, na América Central, para onde viaja uma vez por ano. Em relação ao monitoramento das onças-pintadas, o projeto se desenvolve em um local chamado Refúgio Ecológico Caiman, na pequena cidade de Miranda, no Mato Grosso do Sul.

Na área, o Projeto Onçafari faz o acompanhamento da vida de onças-pintadas por meio de radiocolares, auxiliando na prática do ecoturismo. “Buscamos a valorização da fauna”, afirma May. Ele conta que, antes do turismo e do monitoramento das onças, os fazendeiros da região privilegiam as terras para a criação de gado. Depois de muita conversa, a equipe do projeto conseguiu convencê-los de que preservando as onças o retorno seria ainda maior.

“Há um valor agregado maior. Com o ecoturismo todo mundo ganha, há uma cadeia grande de pessoas beneficiadas”, defende ele. O grande objetivo do projeto é controlar os ataques das onças aos gados, a partir da aplicação de algumas técnicas. Como o projeto está sendo bem-sucedido, o grupo já estudo levá-lo a outros países, até porque, segundo o professor, a predação entre as espécies é um problema mundial.

Monitoramento no Pantanal deve durar mais dez anos
Uma das ideias é que as técnicas de controle de predação sejam aplicadas também em Lages, na serra catarinense. Lá é o leão baio que costuma atacar as ovelhas. Sem receber nenhum apoio do poder público, o projeto é financiado pela iniciativa privada. Por ano, May vai de três a quatro meses para Miranda, onde, a cada viagem, costuma ficar por 20 dias. O monitoramento no Refúgio Ecológico Caiman deve durar mais cerca de 10 anos. O professor conta que o foco do trabalho é monitorar os animais. Apenas quando as onças são feridas por outros motivos que não os ligados à vida selvagem, como um atropelamento, é que eles podem interferir.

Onça-pintada ajuda no equilíbrio do meio ambiente
Nesses anos de pesquisa, o Projeto Onçafari já fez algumas descobertas. Até então se sabia que as onças-pintadas viviam de sete a oito anos, em média. Com o monitoramento, o grupo já encontrou exemplares com até 13 anos de vida.
May afirma que nas áreas onde a equipe atua o número de caça à onça diminui. Ele brinca que, mais difícil do que convencer os fazendeiros a preservarem o bicho, foi tranquilizar a mãe diante a empreitada no Pantanal. “Foi o ser humano que invadiu aquele ambiente. A onça-pintada permite um ambiente equilibrado para o gado, já que entre outras coisas ela devora tamanduás doentes. Ela protege não só o gado, mas também a fauna”, explica.

Coleira envia informações via satélite
Há um sistema de GPS na coleira, que, via satélite, manda informações sobre a onça para o e-mail do professor a cada quatro horas. Dessa forma, ele sabe a localização exata do animal.
Os colares têm um sistema de acionamento automático. Por isso eles se soltam do pescoço da onça num prazo determinado. No caso do Projeto Onçafari, o tempo médio é de um ano.
“São onças de vida livre, não ficam presas. Quando tenho que ir para lá, uso uma armadilha que fica camuflada no chão e prende a pata do animal. Tenho 40 minutos para trabalhar. Boto a coleira no animal, coleto sangue e o libero. São animais que transitam não só pelo Refúgio Caiman, como por outras fazendas da região”, relata May.