Vilmar Antonio Macari: “Sou profissional de contabilidade há 43 anos. São anos de dedicação e amor por aquilo que escolhi ainda jovem”

Vilmar Antonio Macari:  “Sou profissional de contabilidade há 43 anos. São anos de dedicação e amor por aquilo que escolhi ainda jovem”

Vilmar Antônio Macari tem 61 anos, é natural da localidade de São Donato, em Urussanga. O contador reside em Tubarão há 44 anos. Veio para a região em busca de trabalho e qualificação profissional, e com muito empenho e dedicação conseguiu. É formado há mais de 34 anos em ciências contábeis pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Com apenas 9 anos saiu de casa para trabalhar e, desde então, não parou mais. É casado há 38 anos com Bernadete Macari e pai de dois filhos, a fisioterapeuta Janine Macari e o engenheiro civil Guilherme Macari.

Jailson Vieira
Tubarão

Notisul – O senhor sempre trabalhou na área contábil? Como iniciou a sua formação?
Vilmar Macari – Em 1972, vim para Tubarão e trabalhei na distribuidora H Brasil. Era uma revenda de cimento e materiais de construção. Realizava alguns serviços braçais e algumas coisas de escritório. Posteriormente, fiz o Centro Intercolegial Integrado de Tubarão (Cicit), os quais cinco colégios desempenhavam um papel importante na formação do aluno. No Colégio Dehon eram ministradas as disciplinas de física, química e biologia; no São José, letras, inglês e desenho; na Escola Técnica de Comércio, áreas contábeis; e moral e cívica no Senador Francisco Benjamim Gallotti e no Hercílio Luz. Os estudos no Cicit eram de três anos. E aqueles que quisessem se especializar deveria estudar mais um ano. Fiz a minha especialização na escola técnica.

Notisul – São quantos anos dedicados à área contábil? E como chegou à Orprocon?
Vilmar Macari – Neste mesmo período, fui convidado para ser auxiliar contábil na transporte AS Silveira, em 1976. Ela estava localizada em frente à antiga rodoviária. Na época, fui convidado pelo senhor Moacir Magri, cunhado do ex-prefeito Olavio Falchetti (PT). Fui me virando, aprendendo e logo em seguida iniciei a faculdade de contabilidade na Unisul, a qual me formei em 1983. Depois de alguns anos fiz duas pós-graduações. Associei-me com o senhor Luiz Otávio de Medeiros no Orprocon Escritório Contábil em 1981, e estou até hoje. Tenho de vida profissional na área de contabilidade há 43 anos. São anos de dedicação e muito amor por uma profissão que escolhi para desempenhar a minha vida inteira. Sou completamente apaixonado por aquilo que faço.

Notisul – Além de contador, o senhor desempenhou outras funções?
Vilmar Macari – Fui professor na Unisul por 22 anos. Na época, por insistência do professor Irineu Brodbeck. Neste período tive uma relação muito tranquila e pacífica com os alunos. Com o magistério pude olhar o outro lado da história. A minha relação com a instituição, a qual fui aluno sempre foi boa e por isso tive vontade de devolver à universidade aquilo que ela nos proporcionou. Tanto é verdade que para fazer uma faculdade e vingar no ramo da contabilidade passei por muitas situações, fome, necessidade e nunca desisti.

Notisul – O que é necessário para ser considerado um bom contador?
Vilmar Macari – A vida do contador ou daquele que almeja trabalhar nesta área deve ser pautada na paciência, persistência, determinação, boa vontade e amor. Acima de tudo, tem que ter Deus no caminho, porque se não for desta forma não há como desempenhar função nenhuma. A pessoa tem que ter todo esse predicado e a vontade de vencer e, principalmente, entender a legislação de um país que está socialmente conturbado e politicamente mais ainda. Desta forma, temos que contornar situações e progredir a cada dia.

Notisul – O senhor é considerado um empresário e contador de sucesso. O que o credenciou para isso?
Vilmar Macari – Não podemos parar no caminho, porque se acreditarmos que neste percurso já alcançamos tudo, estamos enganados e não conseguimos nada. A vida é assim em qualquer profissão se não tivermos a vontade de começar e continuar ficaremos no meio do trajeto. Há um ditado popular que diz que ‘chegar ao topo é fácil, o difícil é se manter nele’. Isso é para os que constroem a sua vida em cima de um castelo. Aqueles que têm uma base segura, sedimentada e permanecerem humildes esses se mantêm no topo, se não for desta forma é difícil continuar. Temos que a vida inteira nos aprimorar e também vibrar com cada conquista e atendimento que fizemos.

Notisul – Como se dá essa vibração? O senhor vibra apenas no escritório ou isso também ocorria na universidade?
Vilmar Macari – É preciso sempre fazer algo pelo nosso próximo. Não há nada mais importante na vida que fazermos alguma coisa pelo ser humano. É a mesma coisa que um jogo de futebol. Quando o sujeito faz um gol ele não sai vibrando? Na minha vida particular tem que ocorrer a mesma coisa. Na universidade, quando sentia que os meus alunos saiam satisfeitos também deixava o local muito alegre. Não estava lá na instituição só para dar aula, mas transmitir algo além do que tinha para oferecer. Na maioria das vezes sai da instituição de ensino rejuvenescido. Com intuito de a cada dia ‘caprichar’ mais. Também faço isso no escritório. A melhor coisa que podemos ter com as outras pessoas são relações harmoniosas, na escola ou universidade, trabalho, sociedade e especialmente com a família. Quando temos uma base sólida na família e o apoio deles, chegamos para desempenhar o nosso trabalho com a certeza que deixamos uma família feliz. Isso conta muito na vida de uma pessoa. Não há dúvida disso. Sem essa base as coisas não vão para frente. Em especial nos dias de hoje, no qual temos que matar um leão por dia para sobreviver. Quando enxergamos o ser humano de uma maneira, mas amiga, fraterna e sem inveja, o sol brilha mais para nós também. Afinal ele nasceu para todos.

Notisul – Quantas empresas são atendidas na Orprocon e como é o dia a dia do escritório?      

Vilmar Macari – Neste escritório desempenho as minhas funções há 36 anos. Aqui a contabilidade tem os seus momentos mais cruciais, por exemplo, nos meses de março e abril por causa da declaração do Imposto de Renda. É uma época mais pesada. Neste tempo, os profissionais têm que se dedicar mais e tirando isso tem o dia a dia do escritório, com os seus percalços como qualquer lugar. Hoje atendemos 500 empresas. Porém, podemos afirmar que o primeiro semestre é um período mais conturbado, quando temos todos os encerramentos de balanços. Fora isso trabalhamos com o cotidiano tranquilo.

Notisul – O que mudou do seu início na profissão aos dias de hoje? E qual o ‘ingrediente’ utilizado para permanecer tantos anos na profissão? 
Vilmar Macari – Hoje as coisas mudaram. Antigamente era um guarda-livros, aonde se chegava em frente a mesa e o cliente falava ‘quero fazer isso’ e o contador afirmava que não daria. Depois veio a fase do manuscrito, para isso a pessoa deveria ter a caligrafia muito boa, uma série de coisas. Atualmente a era é do computador. Esta máquina facilitou em muitas coisas a vida de muitos, porém, a carga de trabalhão não aliviou aquilo que fazíamos no manuscrito. É um trabalho mais limpo, rápido e prático, a função não diminuiu, muito pelo contrário o fluxo aumentou. O contador atualmente não pode ser apenas burocrático que estará fadado à falência. Ele deve ser um consultor, ter um grau de confiabilidade recíproco entre o cliente e o profissional da contabilidade. Não vamos ao médico se não tivermos confiança nele. E procurar sempre fazer bem feito. E tudo que formos realizar devemos fazê-lo com amor. Se não for assim não faça. Se não deu na contabilidade que vá jogar bola. A pessoa tem que fazer aquilo que lhe der prazer.

Notisul – Foram 22 anos lecionando em uma universidade. O senhor não pensa em voltar a atuar no magistério?
Vilmar Macari – Poderia voltar a ministrar aulas se tivesse tempo disponível. A juventude de certa maneira me seduz. E junto deles também posso rejuvenescer. Não há nada mais prazeroso do que proporcionar e ensinar algo a um jovem. O futuro do Brasil e do mundo são eles. O Brasil precisa acima de tudo de mais educação, ter um povo que transborda cultura. Porque quando se tem um povo com esses dois benefícios, temos também segurança pública, saúde e despertamos uma confiança diferente. Quanto mais estudarmos, mais desempenhamos o trabalho com facilidade pelo grau de competência que estamos adquirido dentro daquilo que estamos fazendo.

Notisul – Falta algo ainda que não tenha feito e necessite fazer?
Vilmar Macari – Acredito que não me falta nada. Quero muito é dar continuidade no meu trabalho e fazer o bem para as pessoas. O meu desejo é me sentir útil para a sociedade e desta maneira, o meu próximo se sentir amparado por aquilo que posso fazer. Se não há a possibilidade de realizar mil atividades, que faça cem ou dez, porém, se espera que as minhas ações levem alegria, satisfação e conhecimento e acima de tudo a amizade. O mundo precisa de paz e temos que batalhar por isso. Nada adianta ter um boi gordo junto de 40 piranhas. O sol nasceu para todos. Afinal, todos têm direito de ser um bom advogado, jornalista, contador e psicóloga, por exemplo. Desde que essas funções sejam desenvolvidas com critérios, determinação, ética e prazer aí à situação flui melhor.

Notisul – Traçaria outro caminho ou enfrentaria mais uma vez o trajeto percorrido desde a sua infância?
Vilmar Macari – Faria tudo de novo. Constituiria a minha família da mesma forma, passaria fome e trabalharia carregando e descarregando carga. Aprendi muito no meu passado e atualmente continuo aprendendo. O meu conselho para as pessoas mais jovens é que para conquistar algo precisamos ter amor, vontade, paciência, dedicação e humildade. O ser humano precisa ter esse último adjetivo em demasia e saber que nem tudo é uma competição, mas uma atividade. E neste trabalho muitas vezes não temos o discernimento de decidirmos na hora, mas em boa parte dele a paciência servirá para buscar as respostas para executar aquilo que nos foi confiado. Acima de mim tem muitos e abaixo também. Por isso é necessário ser humilde. Não conseguiremos a perfeição de nada, mas temos sempre que buscá-la.

Notisul – São 36 anos em uma empresa com outros sócios. Como é o trabalho em sociedade e qual a importância dos colaboradores?
Vilmar Macari – São 30 funcionários capacitados. Éramos três sócios, porém um deles se aposentou e deixou a empresa. Nunca tivemos um problema sério ou briga. Em uma sociedade é necessário contemplar a harmonia. Para comandar o escritório é preciso participar ativamente do processo e ter em seus funcionários o maior patrimônio que a empresa pode ter. O computador ou a mesa não podem ser vistos desta maneira. Dou aos meus colaboradores o mesmo tratamento recebido pela minha família. E comandar uma empresa dentro deste nível é maravilhoso. Tenho que chegar no mínimo junto com os primeiros e sair com os últimos. Desta forma, eles se sentem protegidos e eu também me sinto assim. Não tem ninguém melhor do que o outro. Dentro de uma hierarquia todos somos importantes, um complementa o trabalho do outro. Só tenho elogios aos meus funcionários.