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A alma de Leonardo Da Vinci

 

Alonga viagem a Moscou propiciou-me ler com calma – lendo e relendo – a obra do físico Fritjof Capra, da Universidade Berkeley: “A Alma de Leonardo Da Vinci”. Na biografia anterior (“A Ciência de Leonardo da Vinci”), ele revela toda a genialidade científica do mestre florentino. Nesta, ele revela o lado sensível e humanista de suas obras.
 
Obstinado em conhecer os fenômenos da natureza, Leonardo era o que hoje os cientistas chamam de pesquisador sistêmico. Capra salienta que “na arte como na ciência, ele sempre parecia interessar-se mais pelo processo de pesquisa do que pela obra acabada ou o resultado final. Por isso, muitas de suas pinturas e toda a sua ciência permanecem inacabadas, como obras em desenvolvimento”.
 
Leonardo foi, talvez, o maior gênio da humanidade. Um gênio universal, cuja obra abarcou todas as áreas do conhecimento. Foi, ao mesmo tempo, artista plástico, físico, químico, matemático, biólogo, botânico, geógrafo, arquiteto, engenheiro civil e militar, e, além disso, inventor!  
 
Nenhum fenômeno da terra, da água, do fogo, do ar, do corpo humano e dos animais deixou de merecer seus estudos e anotações. A ciência teria evoluído muito mais rapidamente se seus livros de anotações tivessem sido conhecidos três séculos após sua morte. E se metade dos seus escritos e ilustrações não tivesse desaparecido.
 
Segundo Fritjof Capra: “ele trabalhava sozinho e em segredo, não publicava nenhum de seus achados, e só raramente datava sua notas”.
 
Na pintura, Leonardo criou um padrão, uma lei, que foi seguida por Michelangelo e tantos outros mestres de décadas e séculos posteriores: “A pintura se fundamenta na perspectiva. E a perspectiva nada mais é do que o conhecimento profundo da função do olho”. 
 
Nessa frase, Leonardo reúne o artista e o anatomista, transportando para o pincel o conhecimento profundo do corpo humano. Em um de seus escritos, ele salientou: “As belas proporções de uma face angélica na pintura produz uma concórdia harmoniosa que atinge o olho simultaneamente, assim como um acorde na música afeta o ouvido”.
 
Com essa lógica, inventou máquinas voadoras baseadas na fisiologia dos pássaros; canais e eclusas pela observação do curso das águas; portas que se abriam e fechavam automáticamente por meio de contrapesos; uma lampada de mesa com intensiudade variável; móveis dobráveis; um espelho octogonal que gerava um número infinito de imagens; e um espeto engenhoso, no qual a carne girará devagar ou depressa, conforme o fogo for moderado ou forte; equipamentos textes para fiar, tecer, trançar cânhamo, aparar feltro e fazer agulhas; e outros para fundir e malhar metais, debastar madeiras e pedras, trefilar, cunhas e triturar, ou seja: máquinas para as indústrias básicas da sua época.
 
Leonardo revelou o príncípio dos vasos comunicantes muito antes de Blaise Pascal; da gravidade, muito antes de Isaac Newton; e da relatividade, muito antes de Albert Einstein!
 
Conhecer sua alma, lendo o livro de Capra, é essencial para conhecer a própria natureza humana!
 
O professor Freitjof Capra acaba de lançar “A Botânica de Leonardo da Vinci”. Outra ótima leitura para estas férias!
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