A famosa Bayerisch Motoren Werke celebra, neste ano, o seu centenário. Este é o fato mais relevante que não tem sido mencionado nas mais diversas notícias sobre a vinda da BMW para Santa catarina.
Essa é uma longa história, de idas e vindas, de altos e baixos, de lutas, de sacrifícios, de lucros e perdas, de vitórias e derrotas, ao longo da qual a empresa teve que mudar o seu perfil.
Desde o começo, em 1913, quando começou fabricando motores aeronáuticos, a BMW teve que mudar a sua produção para travões de ferrovias, motocicletas, tanques de guerra e aviões miulitares, até chegar aos automóveis que são o delírio de consumo dos bem aquinhoados da economia mundial.
Vítima das duas grandes guerras mundiais, a BMW foi, em 1919, proibida de continuar produzindo motores para aviões, tão logo terminou o primeiro conflito.
No breve período de paz, entre 1918 e 1938, a hoje centenária empresa alemã começou a produzir as motocicletas e os automóveis, que haveriam de fazê-la referência mundial de qualidade.
Mas logo veio uma nova interrupção. Durante a segunda guerra, foi compulsoriamente levada a produzir veículos militares, o que lhe valeu um bombardeio arrasador em 1944, seguido de uma nova proibição: a de funcionar durante os três próximos anos.
A fabricação dos automóveis que hoje conhecemos começa, de fato, em 1955, coincidindo com a impressionante recuperação da economia alemã, que ressurge como fenix dos escombros da segunda guerra mundial, apenas dez anos depois. Naquele ano, a BMW começa a produzir a Isetta, os V8 e a Berlinda, que encantaram os consumidores europeus.
Todavia, o sucesso da marca só acontece, de fato, em 1972, com o lançamento do Série 5; em 1975, com o Série 3; e em 1977, com o Série 7. A partir daí é que, verdadeiramente, o BMW passa a ser grande ícone do automobilismo de passeio.
Em outubro de 1977, fui contemplado com um curso sobre gestão local, na “Deutche Stiftung Fur Internacional Enwiklung”. Estávamos na calçada com um célebre Professor PHD da Universidade de Erlanger, quando estacionou um BMW Série 3. O mestre olhou para o automóvel, e exclamou:
– Meu Deus, este é o meu sonho. Ainda vou ter um desses…
Esse sonho está sendo proporcionado para nós pelo governador Raimundo Colombo, pelo prefeito João Pedro Woitexen, e com ajuda de pessoas como o ex-cônsul da Alemanha, Udo Döhler. Assim, vamos ter a centenária BMW em Araquari, produzindo os automóveis desejados por toda gente.
Vai se integrar a um grupo importante de outras importantes empresas alemãs, que atraímos, recentemente, para o nosso Estado, como SEW – Süddeutsche Eletromotoren Werke, que nos trouxe tecnologias de fronteira em acionamentos (redutores, moto-redutores e conversores de freqüência). Junto com esta vieram a Bosch, a Siemens, a Thomaz Netsche e tantas outras.
Dia a dia, graças aos incentivos do governo, à qualidade dos trabalhadores e empreendedores catarinenses, e à logística dos nossos portos, vamos nos tornando um polo de indústrias internacionais!
