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A conquista da ilusão

A estudante de direito Graziela Aguiar Ghisi considera que a mulher começa a fazer conquistas
A estudante de direito Graziela Aguiar Ghisi considera que a mulher começa a fazer conquistas

Tubarão

 
Estas datas comemorativas existem para tentar reparar erros, argumenta a professora Marilda Coan Antunes, do curso de história da Unisul de Tubarão. Para ela, a celebração do Dia Internacional da Mulher não muda muita coisa. “Lutamos, lutamos, lutamos, e qual foi a nossa vitória? Jornada de trabalho tripla?”, ironiza Marilda. 
 
O contraponto vem da estudante Graziela Aguiar Ghisi, do 3º semestre do curso de direito. Ela acredita que a data é importante para valorizar as conquistas femininas. “Ao longo da história, a mulher sempre esteve em segundo plano. Hoje, conseguimos mudar um pouco esse quadro. É importante comemorar e mostrar o nosso valor”, analisa a acadêmica.Marilda, no entanto, acredita que o trabalho das mulheres é mais barato, elas são mais flexíveis e a própria contratação delas no mercado reflete uma atitude machista. “Também exercem, nas empresas, um trabalho historicamente feminino: de limpeza, de organização, de disciplina”.
 
O coordenador do curso de história, professor Alexandre de Medeiros Motta, concorda. Para ele, o mercado de trabalho não se interessa pela capacitação das mulheres. “Existe uma política de conformismo. No comércio, por exemplo, as mulheres são frequentemente motivadas, mas não recebem formação adequada para o trabalho”, avalia. 
 
Motta defende que as mulheres devem tomar consciência de que precisam buscar os seus próprios espaços. “Competir para ocupar o lugar dos homens é uma conquista da ilusão”, reflete o professor.
 
Mulheres no foco de pesquisas
Na Unisul em Tubarão, o tema ‘mulher’ tem inspirado alunas de diferentes cursos para a pesquisa, e ganha, a cada trabalho, contornos diferentes. Uma dessas ‘pinturas’ é a feita pela aluna Elisandra Zapelini Tartari Luciano, formada em 2009. No último semestre de direito, ela trabalhava como policial militar em Criciúma.
 
Impressionada com o número de ocorrências de agressões, decidiu pesquisar mais sobre o assunto. “Quis traçar um perfil do agressor e da vítima, saber quem eram essas pessoas”, detalha Elisandra. 
 
A monografia “Violência doméstica e familiar contra a mulher no município de Tubarão” mostra que, no geral, os homens que agridem têm uma característica comum: o vício em drogas e álcool. 
 
Dos 44 processos analisados na pesquisa, em 31 deles os homens possuíam mais de um vício. Do total, 47% admitiram uso de cocaína, crack ou maconha. “Além disso, a maioria dos casos ocorre em famílias de baixa renda”, especifica Elisandra.
 
Em 36,3% dos processos, os agressores não tinham o ensino fundamental, e 40,9% informaram ter cursado apenas a escola básica. 
 
Para Elisandra, a baixa escolaridade está associada à violência. “Por isso, a Lei Maria da Penha não muda muita coisa. Os homens acreditam ficar impunes e as mulheres têm medo de procurar ajuda”, analisa a autora.
 
Para ela, a Lei Maria da Penha é um avanço, mas não muda o comportamento do homem. “O texto diz que as mulheres que denunciam têm direito a abrigo em um albergue. Mas isso não ocorre na prática. A mulher faz a denúncia, mas precisa voltar para casa”, justifica.
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