Início Opinião A gestão ambiental e a produtividade das pequenas empresas

A gestão ambiental e a produtividade das pequenas empresas

É possível  uma reflexão muito  proveitosa sobre  a gestão  nas empresas, resultante  do movimento ambientalista. A história desse movimento inicia na metade da década de 1970, com apelo exclusivamente direcionado ao controle da poluição no planeta, especialmente das chaminés herdadas da revolução industrial e despejos industriais lançados em rios e lagos.   
 
O chamamento teve uma repercussão extraordinária. O planeta acordou para a matéria. Foram criadas instituições para regulamentação e o setor produtivo teve que obedecer a nova orientação. Não havia cultura e tampouco tecnologia, em alguns casos. Mas as coisas foram se acomodando. Paralelamente, aparecia na comunidade internacional à necessidade de qualidade nos produtos.
 
Surgiu a ISO 9000 – no início da década de 1990 – para a certificação da qualidade dos produtos, necessária na competitividade econômica. O binômio com a gestão ambiental foi perfeito. As empresas passaram a ser observadas pelo olho crítico dos órgãos controladores da política do meio ambiente (Ibama, Fatma, ONGs e, mais recentemente, fundações ou institutos municipais) já que as operações passaram a ter que ser licenciadas por meio de projetos. A tecnologia da produção foi socializada (ou teria sido democratizada?). Pois “segredos industriais” tinham que ser abertos para verificações de seus impactos. As medidas a serem adotadas para evitar emissões de partículas sólidas, líquidos e gases passaram a ser exigidas legalmente. Um dos primeiros pontos positivos foi a contenção do desperdício, recuperando-se parte da produção.
 
A ordem e a limpeza que passaram a ser um imperativo também tiveram influência na higiene e segurança do trabalho. Por conseqüência, com reflexos de interesse da medicina do trabalho. O resultado não poderia ser outro. Limpeza, qualidade, higiene e saúde colaborando com a segurança apresentaram interesse comum: o aumento da produtividade da mão de obra (do trabalhador). As empresas passaram a produzir mais com menos pessoal. Nesses casos, até a legislação trabalhista prevê a distribuição dos resultados, em negociações e dissídios, para capital e trabalho. Com o sucesso garantido nessa primeira etapa, os ambientalistas passaram à preservação e à ecologia, derivando, também, para a biodiversidade, que toda a sociedade aplaudiu e tem apoiado. Na sequência veio o buraco de ozônio e o aquecimento global, que levantaram dúvidas e acabaram “detonados” por boa parte da mídia. Atualmente, temos a sustentabilidade, com bons argumentos para um desenvolvimento saudável. Enquanto isso, duas boas curiosidade persistem: há quem diga que “o maior dano ambiental está na contaminação dos rios e grande parte dessa contaminação é doméstica”. E, sobre os percalços dos encontros internacionais dos ativistas: “a salvação está na inovação tecnológica e não na embromação ideológica”.
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