Um dos fatores que favoreceu a vinda de alemães para o Brasil, na metade do século 19, foi a crise que alguns estados europeus de língua alemã passavam na época, devido ao crescimento excessivo da população. Além disso, o controle das grandes propriedades rurais estava nas mãos das classes nobres, fator que também contribuiu com a emigração camponesa. Nesse contexto, a mulher imigrante destacou-se pela sua coragem, esforço e dedicação em se adaptar à nova vida. Esta narrativa pretende descrever a trajetória desta guerreira estrangeira.
Na terra de origem dos alemães, foi criada uma sociedade denominada “Sociedade de Proteção dos Imigrantes Alemães”, a qual tinha a função de observar o modo de vida dos novos colonizadores no Brasil. E, se possível, possibilitar a vinda de mais alguns deles. O mito de que no território brasileiro havia muitas riquezas, levou os imigrantes alemães a acreditarem que nas novas terras encontrariam melhores condições socioeconômicas e políticas. Este fato trouxe os homens e suas dedicadas companheiras para o sul do país.
Em Santa Catarina, as colônias pioneiras estabeleceram-se na região de Desterro e arredores, e também nas proximidades do Vale de São José, Vale do Itajaí e outras regiões do estado. Porém, ao chegarem, perceberam que não era bem aquilo que eles esperavam. Certos depoimentos documentados mencionam que, após estabelecerem-se, não tinham mais como voltar. Eram obrigados a permanecer em suas colônias; e foi nesse momento que os problemas de adaptação começaram a se revelar, principalmente para a mulher alemã.
A ausência dos homens adultos nos trabalhos pesados, naquela época, fez com que as mulheres e as crianças assumissem as tarefas. Era difícil ter algum tempo de descanso. Por este motivo, a alimentação deles era deficiente e de má qualidade. E, quando tinham, era quase que exclusivamente à base de farinha de mandioca. As casas eram feitas de troncos de palmeiras. Kleine, filho de uma imigrante, fez uma observação que explica, de certo modo, o que sua família passava naquela época.
No depoimento, ele relata que a sua mãe era quem mais sofria com a realidade encontrada: doenças, excesso de trabalho braçal e, quando se sentia melhor, concentrava as poucas forças que ainda restavam para cuidar do marido e dos filhos, os quais apresentavam problemas nos pés e nas pernas. Mas ela conseguiu superar as dificuldades naquela época, coisa que parecia praticamente impossível, pois as condições sociais e econômicas vividas na Europa eram bem melhores que as daqui.
Com base nos fatos apresentados, pode-se afirmar que foi fundamental o papel da mulher imigrante alemã no processo de adaptação de vida no estado de Santa Catarina.
As adversidades enfrentadas pela colona, na época da imigração, ficaram de exemplo para os catarinenses. A luta da mulher imigrante foi uma prova de que realmente o sofrimento vivido na época foi grande, porém, rendeu um legado para o povo catarinense: descendentes que hoje contribuem para o desenvolvimento das cidades, incrementando a economia local, principalmente na gastronomia, na agricultura e no turismo. Mulheres que, bravamente, continuam a preservar as suas raízes e a disseminar a alegria por onde quer que passem.