Maycon Vianna
Professor de Língua Portuguesa e especialista em redação
mayconvianna28@gmail.com
Um dos grandes temores quando se trata do Enem é a redação. Só no ano passado, com o tema “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”, segundo dados do Ministério da Educação, dos mais de quatro milhões de escritos no exame, apenas 53 conseguiram alcançar a nota máxima. Isso posto, é inegável que o Brasil segue achincalhado culturalmente por seus jovens, alguns deles preguiçosos e que não estão nem aí para a leitura. É incompreensível que ainda não se criou o hábito de motivar esses alunos a procurarem um bom livro. A falta de leitura é algo plangente, analfabetos funcionais estão imbuídos daquilo que se convencionou chamar de Síndrome da Gabriela, do escritor baiano Jorge Amado, canção muito bem interpretada por Gal Gosta: “eu nasci, eu cresci assim, eu sou mesmo sim”. Dir-lhe-ei que essa situação não é passageira e não aponta para soluções imediatas.
A preocupação dos educadores, principalmente dos pré-vestibulandos, é o preparo. A habilidade de argumentação e o conhecimento do assunto são fundamentais na hora de se elaborar um texto, normalmente delimitado nas provas por um tema. Não é possível dissertar sobre algum tema sem ao menos ter um conhecimento prévio sobre o mesmo. Com isso, a fuga total do assunto, nas produções textuais, aumentou consideravelmente nas últimas edições do Exame Nacional do Ensino Médio.
A falta de leitura pode gerar uma escrita decomposta e despreparada. Isso ainda é um processo muito complexo. As dificuldades ocorrem de maneiras diversas, além disso, tem-se a aquisição da leitura, impulsionando a boa escrita, é um fator fundamental e favorecedor dos ditos conhecimentos futuros. É sim, com toda certeza, uma ferramenta essencial ou mesmo a estrutura mestra para uma boa produção textual, em que serão alicerçadas as demais aquisições culturais.
A maneira como é tratada a busca por conhecimento precisa de mudanças urgentes. Fazem-se necessárias medidas do governo, em todas as esferas, para difundir nas escolas o gosto pela leitura. Rever os conteúdos programáticos da literatura brasileira, tornando-os mais acessíveis aos estudantes pode ser, a princípio, uma solução paliativa. Além disso, nessa perspectiva, vê-se a necessidade de reivindicar pela valorização da educação pública no país. Em vista disso, o hábito de leitura é intrínseco na melhoria do desenvolvimento cognitivo, na capacidade de raciocínio, análise e debate sobre os diversos assuntos contemporâneos, ainda mais aqueles que estão nas questões interpretativas, ou quem sabe nos textos motivadores da redação.