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A ponte que nos identifica

Há exatos 89 anos, no dia 27 de setembro de 1920, era assinado o contrato de construção da Ponte Hercílio Luz, que viria a se constituir no grande ícone da nossa identidade. Numa feliz coincidência, o dia 27 de setembro foi, posteriormente, aclamado como Dia Mundial do Turismo.

Símbolo do turismo catarinense (e por que não dizer, nacional), infelizmente a ponte está fechada para o tráfego de veículos há 27 anos, desde 22 de janeiro de 1982. Em 1997, quando a ponte foi tombada pela União como Patrimônio Histórico Nacional, quem ouviu a notícia imaginou que ela havia desabado.
Pelo seu valor histórico, cultural e turístico, além da perspectiva de, através dela, fazer transitar o metrô de superfície, estamos resgatando a velha senhora que liga a Ilha da Magia ao Continente, respeitando, contudo, as suas características originais.

As obras abandonadas são um dos mais graves e crônicos problemas do Brasil. Em 1995, a “Comissão das Obras Federais Inacabadas no Brasil”, cujo relator era o então senador Casildo Maldaner, encontrou 2.214 obras federais abandonadas, cujas perdas foram calculadas, na época, em US$ 15 bilhões! Mais recentemente, a Operação Navalha revelou a existência de muitas outras obras abandonadas, como “pontes construídas em elevações perdidas no meio dos campos, em locais ermos”, e o Tribunal de Contas da União também encontrou 400 obras, com recursos da União, paradas há pelo menos um ano ou, simplesmente, abandonadas.

Ao longo da minha vida pública, muitas vezes deparei-me com obras abandonadas. Foi o caso do ex-quase-futuro Teatro Municipal de Joinville, cujas estruturas carcomidas ficaram debochando de nós por longos dez anos. Transformamos aquela “Machu-Pichu moderna” no Centreventos “Cau Hansen”, primeira (e então, única) Arena de Multiuso brasileira e sul-americana).
Em 2005, quando fomos à cidade de Coraopolis, no estado da Pensilvânia, para conhecer a empresa American Bridge, construtora da ponte Hercílio Luz, coramos de constrangimento ao perceber que ao lado, em Pittsbourg, várias pontes quase iguais à Hercílio Luz estão intactas.

Graças a Deus (e só a Ele, que a manteve em pé até que déssemos início à sua recuperação), daqui a um ano comemorar-se-á os 90 anos da assinatura do contrato de construção da Ponte Hercílio Luz, quando, com certeza, estará com suas obras de restauração caminhando para a conclusão.

Mas esse sonho de todos os catarinenses só está sendo possível porque a maioria dos nossos deputados estaduais teve a visão e o descortino de aprovar o Fundo Social. Só foi possível evitar que a ponte viesse a cair porque o nosso Tribunal de Justiça teve a sabedoria de, mesmo com pequenas correções, avalizar a lógica do Fundo e manter as suas colunas mestras. As mesmas forças que a mantiveram interditada, durante longos anos, queriam impedir que tivéssemos uma fonte financeira para as obras.

Mas o nosso maior cartão postal voltará a ser motivo de grande orgulho a todos os catarinenses, pois, além de valorizada como cartão postal, ganhará o metrô de superfície para cuja construção abriremos concorrência internacional.

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