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A sucessão em Tubarão

 

Tubarão, ao que parece, depois de 16 anos, terá uma eleição sem Carlos Stüpp como protagonista. Será um pleito diferente. Em 1996, a stuppmania foi uma verdadeira febre entre a juventude. Mesmo perdendo a eleição, criou uma expectativa de mudança no quadro eleitoral tubaronense, o que veio a se tornar realidade em 2000. A vitória abriu caminho para uma revolução na gestão administrativa de Cidade Azul. No entanto, no campo político, o eficiente gestor mostrou-se inábil. De cara, rompeu com Léo Rosa, o principal algoz de seu adversário, e relegou a Jefferson Brunato um pífio papel de coadjuvante. Centralizador, Stüpp chamou para si a condução política do processo, o qual se mostrou sem condução. Não foi capaz de criar no seu entorno uma áurea de liderança regional, buscando focar suas ações na prefeitura. Não construiu uma candidatura que carregasse suas digitais, deixando o caminho livre para Joares Ponticelli e Genésio Goulart.
 
O projeto municipal deu certo. Com altos índices de aprovação, e sem um candidato combativo, reelegeu-se prefeito com folga, mas continuou órfão de representatividade política que fosse além dos limites do município. Por puritanismo, passou ao largo das questões estaduais, mantendo uma lealdade canina ao PP e ao ex-PFL, não tendo, na mesma medida, reciprocidade. Cultivou assim a antipatia do PSDB catarinense. Num equívoco tático, não se empenhou efetivamente na eleição do Dr. Manoel para deputado, o que, sendo concretizado, pavimentaria o espaço para sua própria eleição posteriormente. Acreditava ser assim, sem sombra, o caminho das pedras para a projeção estadual. Em 2008, mantendo uma gestão eficiente e contando com o carisma de seu sucessor, venceu mais uma vez as eleições, acreditando ser capaz de reverter o quadro negativo no âmbito regional. 
 
Um velho político dizia que a política era semelhante às nuvens do céu. Formam-se com a mesma rapidez com que se dissipam. O estado de saúde do prefeito limitou sua atuação no campo político. Os aliados seguiram seus caminhos, deixando Stüpp à própria sorte. Sem capilaridade regional e vivenciando um período de medidas não muito populares da prefeitura, a qual não estava mais sob suas rédeas, viu sua candidatura naufragar. O golpe sentido foi tamanho que decidiu se retirar da cena política. Nessa conjuntura, o PSDB, com o compromisso moral de apresentar candidatura própria, encontra-se numa encruzilhada sem suas principais estrelas. Léo Rosa defenestrado na largada; Jefferson Brunato imolado por falta de espaço; Carlos Stüpp magoado com o abandono. A incógnita a respeito da candidatura à reeleição não se restringe ao quadro de saúde do prefeito. Está também ligada à falta de lideranças capazes de sustentar uma candidatura robusta ao pleito de outubro próximo. 
 
O inferno astral dos tucanos apresenta-se como música aos ouvidos dos adversários. Sobretudo ao PMDB, o qual apostará todas as suas fichas na candidatura de Edinho Bez. Diferentemente dos candidatos que o antecederam, o deputado tem créditos junto ao partido no âmbito nacional e estadual. Vai principalmente cobrar a fatura da renúncia à candidatura ao senado para facilitar o projeto político de Luiz Henrique da Silveira. Possui ainda credenciais para atrair em torno de sua candidatura partidos da base aliada no plano nacional, entre eles o PP e o PT. Da parte do PP, não existirão muitas resistências, afinal, Joares está de olho no projeto estadual, o qual urge renovação de quadros. O partido não conta mais com Pepê Collaço, nome natural à sucessão. Dionísio Bressan, grande esperança do partido, demonstrou-se um vereador de atuação limitada, na apagada legislatura atual. Já o PT, de Olavio Falchetti, não resistirá ao enquadramento na prática pouco ortodoxa do comando petista. Só falta combinar com o eleitor. Sem dúvida, será uma eleição completamente diferente. 
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