Início Segurança A vulnerabilidade das escolas da região…

A vulnerabilidade das escolas da região…

Do Colégio Dehon vem o um bom exemplo: portões sempre fechados e acesso restrito.
Do Colégio Dehon vem o um bom exemplo: portões sempre fechados e acesso restrito.

Mirna Graciela
Tubarão

A chacina de ontem no Rio de Janeiro, em uma escola municipal, deixou o país todo com uma sensação de vulnerabilidade. Muitos pais têm se perguntado se as instituições de ensino estão realmente aptas a proteger os seus filhos. A principal dúvida é se há critérios para a entrada de estranhos. A reportagem do Notisul foi a sete de escolas de Tubarão para analisar esta questão.

É muito difícil ter um controle rigoroso de quem entra ou sai. Afinal, a pessoa estranha pode estar em busca de informações sobre matrículas, pode ser um ex-aluno querendo o histórico escolar, ou até mesmo o pai de um estudante. E as estruturas das instituições de ensino contribuem de uma certa forma com este risco. É fácil, por exemplo, pular o muro dos fundos e ‘infiltrar-se’ sem problema algum.

Nas escolas visitadas pelo Notisul, o resultado foi positivo de uma forma geral. Colégio Dehon, Ginásio Santíssimo Sacramento (Irmãs Baianas), Colégio São José, Aderbal Ramos da Silva e Escola João Teixeira Nunes houve todo um ‘interrogatório’ na porta de entrada. O lado preocupante ficou por conta de duas instituições estaduais (os nomes não serão publicados para não prejudicar os funcionários), onde o acesso foi livre.
Em uma das escolas não havia porteiro. A reportagem passou pela primeira porta e pela secretaria, onde não foi parada para identificação. Assim, entrou no pátio e circulou entre os alunos, com passagem livre às salas de aula.

Na outra escola, o portão de ferro de acesso estava aberto e mais uma vez foi possível caminhar pelo pátio. No momento da saída, o porteiro já havia voltado ao seu posto. Muito prestativo, ele admitiu a necessidade de sair às vezes para resolver problemas com alunos ou outras questões. E explicou que existem dois vigias permanentes no portão, que funciona eletronicamente. Neste caso, em uma fração de segundos, ficou aberto.

Instituições preocupadas com a segurança

No Colégio Dehon, em Tubarão, o portão fica trancado e há sempre uma pessoa com um controle em mãos. Ontem, a senhora que estava na portaria garantiu que ninguém entra sem passar por ela.

A Escola Básica Aderbal Ramos, no bairro Santo Antônio de Pádua, também é bem protegida, com sistema de portão eletrônico. Foi a única em que a reportagem do Notisul teve que apertar um botão para se identificar.
O Ginásio Santíssimo Sacramento, em Oficinas, tem um porteiro constantemente na entrada. Assim como o Colégio São José, onde os portões somente ficam abertos na entrada e saída dos estudantes.

A Escola de Educação Básica João Teixeira Nunes, no bairro Morrotes, tem uma entrada controlada. Ao passar pela secretaria, logo após a porta principal, a reportagem foi indagada sobre o seu destino. No interior da instituição, existem 16 câmeras instaladas.

12 alunos mortos após a chacina

Doze adolescentes – dez meninas e dois meninos – morreram após o ataque à Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro. Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, atirou contra alunos em salas de aula lotadas, foi atingido por um policial e suicidou-se em seguida. O crime ocorreu por volta das 8h30min de ontem.
Até ontem à noite, 11 crianças permaneciam internadas em seis hospitais.
Um carta foi encontrada com o atirador. Wellington menciona questões religiosas e dá indícios de que o ataque foi premeditado.

Assassino falava que queria “destruir um avião”

Um irmão do atirador Wellington Menezes de Oliveira afirmou, em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, que o assassino já havia manifestado um certo ímpeto violento anteriormente. “Durante um tempo, ele falou que tinha vontade de destruir um avião, como o que aconteceu nos Estados Unidos, nos ataques terroristas”, contou o homem, que não quis se identificar com medo de represálias.
Wellington costumava passar muito tempo no computador, fazendo pesquisas sobre armas. Segundo o seu irmão, ele fez tratamento psicológico durante a infância e sofreu um trauma quando a mãe adotiva, que tinha problemas mentais, tentou suicídio.

Confira a da carta Wellington de Menezes na íntegra 

"Eterna, eu deixei uma casa em Sepetiba da qual nenhum familiar precisa, existem instituições pobres, financiadas por pessoas generosas que cuidam de animais abandonados, eu quero que esse espaço aonde eu passei meus últimos meses seja doado a uma destas instituições pois os animais são seres muito desprezados e precisam muito mais do que proteção e carinho do que os seres humanos que possuem a vantagem de poder se comunicar, trabalhar para se sustentar, os animais não podem pedir comida ou trabalharem para se alimentarem, por isso, os esqueci (sic) apropriarem da minha casa, peço por favor que tenham bom senso e cumpram o meu pedido, pois cumprindo o meu pedido automaticamente os terão cumprindo a vontade dos pais que desejavam passar este imóvel para o meu nome e todos sabem disso, senão cumprirem o meu pedido, automaticamente estarão desrespeitando a vontade dos pais, o que prova que vocês não têm nenhuma consideração pelos nossos pais que já dormem eu acredito que todos vocês tenham alguma consideração pelos nossos pais, provem isso fazendo o que eu pedi"

“Primeiramente deverão saber que os impuros não poderão me tocar sem luvas, somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas, ou seja, nenhum fornicador ou adúltero poderá ter um contato direto comigo, nem nada que seja impuro poderá tocar em meu sangue, nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem sem sua permissão, os que cuidarem de meu sepultamento deverão retirar toda a minha vestimenta, me banhar, me secar e me envolver totalmente despido em um lençol branco que está neste prédio, em uma bolsa que deixei na primeira sala do primeiro andar, após me envolverem neste lençol poderão me colocar em meu caixão. Se possível, quero ser sepultado ao lado da sepultura onde minha mãe dorme. Minha mãe se chama Dicéa Menezes de Oliveira e está sepultada no cemitério Murundu. Preciso de visita de um fiel seguidor de Deus em minha sepultura pelo menos uma vez, preciso que ele ore diante de minha sepultura pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida.”

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