A luta valeu a pena. Os números comprovam a dimensão e o resultado do programa para o desenvolvimento da agricultura familiar, que viabiliza a balança comercial do Brasil, garante a segurança alimentar da população e faz do setor, pelo menos em nosso estado, a mola propulsora da economia agrícola.
Desde a criação do Pronaf, é nítido o crescimento considerável do volume de recursos aplicados ao longo dos anos, que aumentaram de R$ 650 milhões, em 1996, para R$ 28,9 bilhões na safra 2015/16. A expansão mais acentuada ocorreu após o governo lula, com um incremento de 1.445% no volume de recursos de 2002 a este ano.
A agricultura familiar catarinense, que abrange 180 mil famílias rurais, tem participação destacada no Pronaf, absorvendo cerca de 10% dos recursos. Na safra passada (2014/15), os produtores rurais do estado acessaram mais de R$ 3 bilhões em crédito subsidiado (juros que variam de 0,5% a 5% ao ano). Foram mais de 130 mil contratos assinados.
A criação do Pronaf e, principalmente, a ampliação exponencial de recursos na última década está alicerçada em uma mudança de visão de governo, que passou a entender a importância estratégica da pequena propriedade rural para a produção nacional de alimentos.
Em 1950, 77% da população estava na área rural. No Brasil de hoje, 84% da população vive na cidade. Até 2050 teremos um aumento de 75% no consumo mundial de alimentos. Esses dados mostram que o futuro está na terra, com um cenário cheio de oportunidades para os agricultores familiares, em especial para a juventude rural.
E o mercado tem valorizado cada vez mais produtos limpos de agrotóxicos, que respeitem o meio ambiente e a cultura de produção dos agricultores. O Pronaf do governo federal tem sido um grande aliado na estratégia de garantir a vocação do agricultor familiar, que é produzir alimentos e cuidar da terra, do meio ambiente.
Mas é preciso mais. Queremos que o governo catarinense invista de fato no setor, reverta o processo de desmonte da Epagri e da Cidasc, compre produtos da agricultura familiar para a merenda escolar, leve energia elétrica trifásica para o campo e desenvolva políticas públicas que garantam qualidade de vida no meio rural.