Zahyra Mattar
Tubarão
A questão da água é extremamente complexa. A qualidade do líquido que chega à casa do consumidor é definida por normas, parâmetros. Tudo precisa ser seguido à risca para garantir a saúde do usuário. Em Tubarão, após três anos de municipalização do sistema de captação, tratamento e distribuição de água, é possível, sim, apontar melhorias no setor.
Ontem, uma equipe do Notisul visitou a Estação de Tratamento de Águas (ETA) do consórcio Águas de Tubarão, formado pelas empresas Enops, Esteio e Saneter. Sob a administração do Fundo Municipal de Águas e Saneamento (Fundasa), o lugar tem outro aspecto. Difere totalmente do aspecto sujo e ‘alaranjado’ daquele encontrado há três anos.
Assim como mudou o aspecto físico, a ETA também teve alterada a rotina de trabalho, a forma de tratamento de água, de análises. Pode parecer pouco, mas isso também garante saúde à população. Ainda que nem tudo sejam flores, e isso é admitido pelo químico da Enops, Márcio Cardoso, já no título da matéria, é preciso conferir grande preocupação de realmente proporcionar um serviço de qualidade, especialmente quanto às análises feitas da água. “Não somos os perfeitinhos. Mas muita coisa mudou aqui”, atesta o químico.
Problema da água do Rio Tubarão é acentuado nos períodos de estiagem
A captação da água que vai parar na torneira do consumidor tubaronense é proveniente do Rio Tubarão. Isto é feito em apenas um ponto. A análise da água bruta é realizada, no mínimo, a cada seis meses, conforme obriga a lei.
“Diria que o pior problema (da água) do Rio Tubarão são as épocas de estiagem. Quando isso ocorre, a concentração de poluição é maior”, avalia Márcio Cardoso, químico da Enops, uma das empresas do Consórcio Águas de Tubarão.
Desta forma, acentuam-se os problemas decorrentes da atividade carbonífera, da suinocultura, rizicultura e esgoto doméstico, como apresentou o Notisul ontem.
“Quando chove, a poluição dispersa-se e o tratamento, consequentemente, fica mais fácil. Nem por isso mais barato”, emenda Cardoso. E completa: “A (qualidade da) água do Rio Tubarão varia muito. Um dia está verde, cheia de algas. No outro, está marrom, cheia de terra. Isto impacta diretamente na turbidez e coloração. Por isso que as vezes há um cheiro acentuado ou um gosto diferente. Mas isso não significa que a água seja de má qualidade. Pelo contrário. O produto é garantidamente potável”, atesta o químico.
Cardoso diz que os dados apresentados pelo Notisul, terça-feira, a respeito das condições das águas da Bacia do Rio Tubarão, não são observados no perímetro urbano do manancial. De qualquer forma, o profissional externa a mesma preocupação do engenheiro civil Francisco Beltrame, especialista em avaliação e perícia ambiental: “A legislação que define os parâmetros de avaliação para a classificação dos rios é clara. São dados alarmantes mesmo. Aqui na cidade, porém, para nossa sorte, isto não é verificado. No perímetro urbano o principal problema ainda é questão do esgoto doméstico”, reitera Cardoso.
