Planeta já estourou o orçamento ambiental deste ano. Ações sustentáveis devem ser adotadas para amenizar desgaste do meio ambiente
TUBARÃO
“A humanidade está exaurindo a natureza 1,7 vez mais rápido do que os ecossistemas conseguem se regenerar. É como se estivéssemos utilizando o equivalente a 1,7 Terra”. Esse é o comunicado da Global Footprint Network, organização internacional de pesquisa pioneira na contabilização da pegada ecológica, que é a quantidade de recursos naturais renováveis para manter o estilo de vida das pessoas. A cada ano, os seres humanos esgotam mais cedo os recursos naturais do planeta. É como um orçamento ambiental, quando a demanda anual da humanidade por recursos excede o que o planeta Terra é capaz de regenerar naquele ano.
De acordo com a Global Footprint Network, até o último dia 2 já teríamos gasto o orçamento ambiental do planeta para todo o ano. A engenheira ambiental e mestre em Tecnologias Ambientais Renata Porto Morais, explica que na prática é como se conseguíssemos estender o nosso “orçamento anual” a cada atividade.
Para reverter esta tendência, é preciso atrasar o “Dia da Sobrecarga da Terra” registrado na última semana em 4,5 dias todos os anos. Assim, será possível retornar ao nível em que utilizamos os recursos de um só planeta até 2050. Por isso, a organização promove a iniciativa #movethedate (“retroceda a data”), para a adoção de ações e hábitos que podem reduzir a nossa pegada ecológica. Os custos desse excesso global de gastos ecológicos estão se tornando cada vez mais evidentes em todo o mundo, manifestando-se em desmatamentos, secas, escassez de água potável, erosão do solo, perda de biodiversidade e o acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera.
Especialista aponta ações sustentáveis para Tubarão

Considerando educação, longevidade e renda, o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil classificou as 100 melhores cidades para se viver, e Santa Catarina tem 23 municípios nesta lista. Entre eles, Tubarão ocupa a 53ª posição. Com a conclusão de algumas obras como o Aeroporto de Jaguaruna e a finalização da duplicação da BR-101, é uma cidade em franco desenvolvimento.
A engenheira ambiental Renata Porto explica que a região toda sofrerá grandes modificações e certamente tais mudanças trarão impactos positivos e negativos: geração de empregos, aumento de doenças circulatórias e respiratórias, ocupação desordenada do solo, aumento da demanda de alimentos, água e energia, entre outros fatores. “A Bacia do Rio Tubarão é considerada por muitos pesquisadores como uma das mais poluídas do país”, destaca.
Ela orienta que temas ambientais devem ser discutidos na busca de desenvolvimento e do uso racional dos recursos e da melhoria da qualidade de vida das comunidades. “Focando na redução do desperdício, no consumo consciente e na gestão dos resíduos e não apenas no descarte do lixo, certamente conseguiríamos aumentar a eficiência do uso do nosso ‘orçamento ambiental’”, alerta.
Reflexões
A especialista em meio ambiente faz algumas indagações: “Onde vai parar o óleo de cozinha usado? Quais seus impactos? Por que foi preciso fechar os cemitérios? Basta deixar o lixo na frente de casa que ele some? O que acontece com esse lixo? Quanto custa tornar a água potável para consumo? Por que há tanto desperdício? Há políticas públicas? Qual o horário da coleta seletiva no meu bairro? A responsabilidade é de todos, da casca de banana ao lixo espacial, do córrego aos oceanos, da horta a floresta Amazônica somos todos responsáveis por utilizar bem os recursos naturais e o nosso “orçamento ambiental”. Somos parte integrante do meio”, reforça.