Federação nacional afirma que os novos custos podem afetar em outros itens, como o transporte e alimentos.
Tubarão
O reajuste nas alíquotas do Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a gasolina, o diesel e o etanol já é sentido em postos de todo o país. Segundo o presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda Soares, o acréscimo já foi repassado pelas distribuidoras desde a 0h desta sexta-feira.
“O combustível já foi bombeado pelas distribuidoras com aumento e esse valor é repassado logo que acabam os estoques nos postos. O momento para esse reajuste foi péssimo, onde a gente ainda está em uma recessão, não saímos da crise. Atualmente, há uma queda nas vendas de combustíveis e o governo optou pelo jeito mais fácil para equilibrar suas contas, aumentando impostos”, lamenta.
Soares ressalta que esta adição nos valores dos combustíveis pode gerar um novo aumento em cadeia, em itens como transporte, alimentação e, por consequência, impactar na inflação do país. A alíquota passou de R$ 0,3816 para R$ 0,7925 para o litro da gasolina e de R$ 0,2480 para R$ 0,4615 para o diesel nas refinarias. Para o litro do etanol, a alíquota passou de R$ 0,12 para R$ 0,1309 para o produtor. Para o distribuidor, a alíquota, atualmente zerada, aumentará para R$ 0,1964.
“O nosso setor trabalha com margens muito apertadas de lucro. É o único setor do comércio em que se sabe que a média nacional de margem bruta de lucro é 12%. Acho difícil o empresário do setor absorver todo esse impacto”, disse.
Aumento deve ser repassado ao consumidor nos próximos dias
No Distrito Federal, o litro da gasolina podia ser encontrado até quinta-feira por valores próximos de R$ 2,94, mas já está é vendido por até R$ 3,92. Em Porto Alegre, a maioria dos estabelecimentos visitados não havia alterado valores, mas prevê elevação nos próximos dias ou semanas. Nesta sexta-feira, os preços variavam de R$ 3,49, tanto para o litro da gasolina comum quanto da aditivada, com pagamento em dinheiro, a R$ 4,57 para o litro da gasolina aditivada. No posto mais caro, onde o litro da gasolina comum custa R$ 4,17 e o da aditivada, R$ 4,57, o gerente informou que já atua com novo valor após o aumento de imposto. O antigo era de R$ 3,69. Na Grande Florianópolis, nesta sexta-feira muitos postos já receberam o produto com o novo imposto, alterando o preço que chega ao consumidor final. A tendência é que até segunda-feira todos os estabelecimentos da região apliquem o novo valor. Em Tubarão, em pelo menos um dos postos o preço do combustível continuava o mesmo.
Temer diz que população compreenderá o reajuste
O presidente Michel Temer, ao falar sobre o aumento, determinado para compensar as dificuldades fiscais, disse que a população compreenderá a medida. “A população vai compreender porque este é um governo que não mente, não dá dados falsos. É um governo verdadeiro, então, quando você tem que manter o critério da responsabilidade fiscal, a manutenção da meta, a determinação para o crescimento, você tem que dizer claramente o que está acontecendo. O povo compreende”, afirmou. Temer falou sobre o aumento ao chegar na quinta-feira a Mendoza, na Argentina. Ele destacou ainda que o reajuste é para manter, em primeiro lugar, a meta fiscal estabelecida, e, em segundo lugar, para assegurar o crescimento econômico. A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) considera inaceitável o aumento dos impostos. Para o vice-presidente da Indústria da Facisc, André Gaidzinski, este aumento decepciona a classe empresarial, mas também a sociedade como um todo. “Temos que ficar atentos a outros aumentos de impostos que esta medida poderá trazer. O Governo vai se sentir à vontade para subir outros tributos,”, diz Gaidzinski.
