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Aluno enfrenta resistência por usar roupas femininas

Escola estaria obrigando o jovem a apenas frequentar as aulas com o uniforme.

Imaruí

Marcelo Nunes de Freitas Júnior, 18 anos, identifica-se como mulher. Este ano, ao assumir sua condição sexual, decidiu só usar roupas femininas e prefere ser chamado de Luana. Sua mãe, Dayse de Oliveira Berto Justino, conta que por isso o filho passou a enfrentar problemas com a direção da escola onde estuda, a Prefeito Pedro Bittencourt, em Imaruí.

Dayse afirma que no domingo, aproveitando que a escola estava aberta devido a um evento, foi até lá buscar o boletim do filho. “O diretor disse que meu filho tinha que usar sutiã e que ele ia para a aula com roupas indecentes”, lembra. A mãe também teria ouvido do diretor, Célio Bittencourt de Oliveira, que o jovem só poderia entrar na escola com uniforme. “Respondi que uniforme não é lei e que a maioria das pessoas nem usa mais”, diz.

Marcelo está no terceiro ano do Ensino Médio, no período noturno. Dayse conta que em outra ocasião, ocorrida meses atrás, o filho chegou chorando em casa porque apenas poderia participar da formatura com traje masculino. Houve também um dia em que ele teve de retornar para casa e vestir o uniforme.
A mãe diz que já apresentou uma denúncia na ouvidoria da Gerência de Educação (Gered) da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Laguna e irá registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil por homofobia. “Não tem que mudar seu jeito por causa de ninguém”, afirma Dayse.

O gerente de Educação, Mario Martins Alano, diz que geralmente as escolas não cobram o uso de uniforme para o período noturno, adotando outra forma de identificação. Afirma que a exigência precisa constar no Plano Político Pedagógico da escola, após acordo entre os alunos, Associação de Pais e Professores (APP) e conselho deliberativo.

O diretor da escola disse que a instituição trabalha as questões de gênero em sua proposta pedagógica, mas se negou a dar entrevista por telefone.

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