Início Opinião Antonieta de Barros: redescoberta e atual

Antonieta de Barros: redescoberta e atual

Ahistória da mulher na sociedade se confunde com a própria história da sociedade pelo fato, dela mulher, ter momentos que não podem deixar de ser registrados. A história de Antonieta de Barros, a catarinense que na década de 30 se elegeu deputada como a primeira afrodescendente do país é um desses casos de superação, luta, determinação e de doce e salutar ousadia. 

Educadora, jornalista e política, Antonieta junta em sua trajetória, na primeira metade do século 20, três bandeiras caras ao Brasil do século 21: educação para todos, valorização da cultura negra e emancipação feminina. Por isso, nada melhor neste 8 de março, usar a história da deputada filha de ex escrava que inspira ativistas negras no Brasil e redescoberta no documentário Antonieta, da cineasta Flávia Person, para render homenagens a todas as mulheres catarinenses e, por extensão de todo o Brasil.

Mas, redescobrir Antonieta, é também reconhecer que nestas terras tidas como de uma região branca, as oportunidades são dadas a todos. Em nosso estado, as desigualdades de gênero e as discriminações que ainda se avolumam, sucumbem ao desejo da sociedade catarinense de constituir-se cada vez mais numa sociedade plural e igualitária, onde é vedada qualquer forma de discriminação e/ou opressão.

Antonieta é a gênese deste sentimento. Causa e origem do empoderamento feminino e na consequente efetivação de direito para as mulheres. Não há dúvidas que redescobrir Antonieta de Barros se configura como um instrumento de comemoração e de reflexão. 

Antonieta foi protagonista em uma época em que as mulheres, ainda mais as mulheres negras, eram relegadas à total submissão e desempenhavam papel coadjuvante na sociedade”, como afirma a professora Gisele Falcari e contribuiu, nas palavras da professora  Alexandra Alencar, doutora em Antropologia pela Universidade Federal de Santa Catarina e criadora do projeto “Outras Antonietas”, voltado para professoras negras, para que os negros e negras, que “no sul do Brasil, sempre tiveram situação de invisibilidade histórica, reduzam essa invisibilidade”.

Que outras milhares de “Antonietas” sejam redescobertas Brasil afora. A luta das mulheres pela garantia de direitos não se esgota neste dia, sim, se renova e fortalece, fazendo-nos crer que não está longe o dia em que a herança maldita do machismo e do sexismo seja página virada na história da humanidade. 

Que o estado brasileiro, consoante com a Constituição Federal, tenha claro que em relação à mulher não há espaços para execução de políticas públicas que não sejam aquelas comprometidas com a construção de uma sociedade livre, justa e solidária; com o fim de todas as desigualdades de gênero nas atividades profissionais e políticas como forma de reparar injustiças históricas e valorizar a mulher, sem a qual, não se constrói uma progressiva e perene cidadania.

 

Sair da versão mobile