FOTO A/P Divulgação, Notisul
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Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 1,2 bilhão de mulheres estarão no climatério até 2030. No Brasil, cerca de 29 milhões já vivem essa fase, segundo o IBGE e a Sociedade Brasileira de Climatério (Sobrac). Especialistas alertam que o apoio do parceiro durante a menopausa é um fator decisivo para o sucesso do tratamento e para o equilíbrio familiar.
De acordo com a ginecologista Dra. Lisandra Radaelli, que atua em Tubarão e é docente da Unisul, a fase costuma coincidir com o auge da vida profissional e das responsabilidades pessoais, aumentando a sobrecarga física e emocional das mulheres.
“Muitas vezes, o homem se sente impotente ou acredita que sintomas como irritabilidade ou queda da libido sejam exagero. Não são. O termostato interno dela muda e há alterações importantes na química cerebral. O parceiro deve ser uma rede de apoio ativa”, explica a médica.
Climatério cresce e se torna tema de saúde pública
O avanço da expectativa de vida e o envelhecimento da população tornam o climatério um tema cada vez mais relevante. No Brasil, o grupo de mulheres acima dos 45 anos é o que mais cresce, segundo dados do Censo.
Além disso, pesquisas recentes (Bayer/Ipsos) mostram que 44% das brasileiras com sintomas mais intensos não realizam tratamento, muitas vezes por minimizarem o próprio sofrimento.
Estudos também indicam que o apoio emocional do parceiro pode reduzir os níveis de cortisol, hormônio relacionado ao estresse, favorecendo a resposta a tratamentos como a reposição hormonal e melhorando o sono e o humor.
Como o parceiro pode ajudar na prática
Segundo a especialista, atitudes simples dentro de casa podem fazer diferença significativa no bem-estar da mulher durante o climatério:
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Validação sem julgamento: evitar comentários pejorativos sobre a menopausa
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Paciência com a libido: compreender que a queda do desejo é fisiológica
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Divisão da carga mental: assumir tarefas domésticas e responsabilidades
Para a médica, essas atitudes ajudam a preservar a relação e a qualidade de vida do casal.
“O objetivo é que essa fase seja apenas um capítulo, não o livro inteiro. Com os recursos médicos disponíveis hoje e um ambiente de apoio em casa, a mulher pode seguir ativa, saudável e com qualidade de vida”, afirma.
Quem é a especialista
A Dra. Lisandra Radaelli é ginecologista com título de especialista pela FEBRASGO e atua em Tubarão. É referência em saúde feminina e reprodução assistida na região da Amurel, aliando prática clínica e atuação acadêmica.
