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Aposentado entra na fila de transplantes

A demora em efetuar o procedimento fez com que o caso de Evandro tivesse uma reviravolta: sua doadora contraiu tuberculose e não poderá mais fazer a cirurgia
A demora em efetuar o procedimento fez com que o caso de Evandro tivesse uma reviravolta: sua doadora contraiu tuberculose e não poderá mais fazer a cirurgia

Karen Novochadlo
Laguna

Santa Catarina é campeã no ranking de captação de órgãos. No primeiro semestre deste ano, alcançou a marca de 26 doações a cada milhão de habitantes. É um número maior que estados como São Paulo e Ceará, por exemplo. Durante o primeiro semestre deste ano, foram realizados 456 transplantes no estado.
 
Ainda que os números sejam para serem comemorados, existem situações pontuais que merecem atenção. Uma delas é a do aposentado Evandro Luiz de Melo, de Laguna. Ele precisa de um transplante de rins há dois anos. Tinha um doador vivo, que teoricamente faria com que seu caso fosse mais rapidamente resolvido. Engano. Agora Evandro passou a engrossar a fila do transplante de Santa Catarina.
 
A doadora de Evandro contraiu tuberculose. O tratamento levará pelo menos seis meses e, antes deste tempo, ela não poderá ceder o órgão. “Agora que estou na fila de transplantes. Fazer o quê? O negócio é esperar. Desisti do doador vivo”, lamenta Evandro.
 
Agora, a rotina dele será ainda mais árdua, além das hemodiálises semanais, Evandro precisará ir ao Hemosc a cada dois meses para realizar a coleta de material. Quando um doador compatível aparecer, ele fará a cirurgia.
O caso de Evandro já poderia ter sido resolvido, caso os exames para ele poder fazer a cirurgia tivessem sido agilizados. Doadores e receptores de órgãos têm prioridade no sistema de saúde pública.
 
Números refletem o investimento no estado
Atualmente Santa Catarina tem uma média de 26 doações de órgãos para cada milhão de habitantes. O número é maior do que a média brasileira e reflete o investimento do governo nas capacitações das equipes, avalia o secretário estadual de saúde, Dalmo Claro de Oliveira. O estado também é destaque na mediação com as famílias.
Para o coordenador da SC Transplantes, Joel de Andrade, a mudança no modelo de gestão, os cursos de comunicação para capacitar os profissionais, e a melhor qualificação das pessoas responsáveis pelas entrevistas com os familiares contribuíram para o atual índice de doações.
Segundo Andrade, Santa Catarina realizou 456 transplantes durante neste primeiro semestre, entre córneas, rins, pâncreas, fígados, ossos, esclera e medula óssea. No período, Santa Catarina registrou a notificação de 185 mortes  encefálicas, resultando em 80 doações. Isso representa 45% de efetivação, enquanto que no Brasil o índice não passa de 25%. Outro fator relevante está relacionado à qualidade das entrevistas com familiares de doadores potenciais, responsáveis por 66,4% das autorizações para a retirada de órgãos.
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