Zahyra Mattar
Tubarão
Os prazos para a conclusão do trecho urbano das obras de duplicação da BR-101, em Tubarão, mudaram. Até então, a construtora Triunfo trabalhava com a meta de finalizar os três elevados até o fim deste ano: o do trevo da avenida Tancredo Neves (da Jucasa), no Revoredo; o do trevo da rua São João, no Morrotes; e o da avenida Patrício Lima, no Humaitá (foto). Agora, o esforço é para entregar dois e meio: Revoredo e Morrotes por completo e o do Humaitá pela metade.
“O central (Humaitá) será impossível terminar até dezembro. Então, eles (a Triunfo) concentram os trabalhos para finalizar os dois menores (Morrotes e Revoredo) e para terminar a pista esquerda (sentido norte-sul). Com isso, o tráfego da BR-101 será deslocado inteiramente para os viadutos e o trânsito da cidade fica livre daquele conflito todo”, destaca o superintendente sul do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit), Avani Aguiar de Sá.
Com isso, até o verão, é possível que o principal problema da cidade em relação à BR-101 esteja solucionado. Com o aumento em até 60% do tráfego devido ao acesso às praias, o cruzamento no principal trevo é terrível. Nos horários de pico, às 18 horas, é pior ainda. Tanto o trânsito da cidade quanto o da rodovia acabam congestionados.
O superintendente avalia que cumprir este prazo, estipulado pela própria Triunfo, será complicado, mas não impossível: “Não é fácil. É muita coisa para fazer. Nossa preocupação em Tubarão é com a população. Está demorando muito esse troço”, dispara o engenheiro.
Entrevista | Avani Aguiar de Sá
“A verdade é que o barato saiu caro”
O superintendente sul do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit) fala das metas programadas pelas construtoras para este ano. Para ele, as obras estão lentas, parte pelas chuvas, parte pela falta de dinheiro das empresas.
Notisul – Como o senhor avalia o andamento das obras na Amurel?
Avani – Lentas em alguns pontos. O lote 24 (Garopaba-Imbituba) desenvolveu muito bem, apesar da chuva. Estão bem à frente dos outros na região. O 25 (Laguna) não teve o desempenho esperado. Parte pela chuva, foi demais, e parte pelos problemas financeiros do consórcio (Blokos/Araguaia/Emparsanco). O daqui (lote 26, da Triunfo) tenta buscar um financiamento junto a um banco privado. O do BNDES é impossível para eles.
Notisul – Não dá uma angústia no senhor?
Avani – E se dá. Mas não tem como. Estou com as mãos amarradas. A dificuldade das empresas é tremenda.
Notisul – O cronograma do ano passado foi remanejado para este. Ainda é o mesmo?
Avani – É: terminar 70% das pistas até dezembro. E desta vez acredito que vai. O lote 30 (Passo de Torres) fica pronto até o fim do ano. O 27 (Içara) está pronto. O 24 (Imbituba) pretendem entregar este ano. Nossa meta é ficar com a obra totalmente pronta até o fim do ano que vem, a exceção do Morro dos Cavalos, a Ponte de Cabeçudas e o elevado de Maracajá.
Notisul – Hoje, qual a maior dificuldade?
Avani – Sempre foi o problema financeiro das construtoras. O preço muito baixo com que eles concorreram atrapalhou tudo. Eles continuaram trabalhando por causa das multas, são muito pesadas. Uma rescisão de contrato é suficiente para liquidar uma empresa dessa. É em torno de 30% do contrato restante e pode deixar a construtora sem poder participar de concorrência pública por até cinco anos. No começo, a gente até festejou que a obra sairia até 30% mais barata que o previsto. Hoje, que lástima. O barato saiu caro. A verdade é esta.
