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Bundões, sim!

Sim, essa era a chamada que gostaria de usar para o meu artigo. Mas, percebi que o termo ficaria com caráter pejorativo. Daí, mudei. Vou usar a palavra frouxos. Suaviza um pouco. E antes de continuar, quero fazer uma revelação. Adoro crianças. Pela minha ótica, elas representam o que há de mais gracioso, belo e puro na humanidade. Elas ofertam um sorriso sincero, com um brilho no olhar. Os gestos são suaves, a voz doce e o abraço envolvente. Muito mais poderia dizer, mas acredito não ser necessário. Quem de nós não teve a oportunidade de conviver com uma criança? Qual de nós não viveu com maior ou menor intensidade essa experiência?

Mas, esqueci de mencionar um detalhe. Muito importante, é claro. Estou a falar de crianças educadas. Que já não são muitas nos tempos atuais. E o que mencionei até aqui, quero estender também aos adolescentes. Aliás, boa educação é algo lindo em qualquer idade. Faz a diferença em todos os lugares. Fiz todo esse ensaio e não fui ao ponto da conversa. Estou segurando minha irritação, minha indignação. A última gota d’água para motivar meu artigo foi perceber que o governo federal, através do seu Ministério da Educação, acredito eu, está “investindo” uma fortuna em alguns veículos de comunicação para nos informar ou nos alertar que os professores gastam 20% de seu precioso tempo para resolver, ou talvez ficaria melhor, se envolver com questões de indisciplina nas salas de aulas. Uma vergonha confessada. E aposto que os pesquisadores que apontaram esse percentual foram generosos. O índice é bem maior. 

E aí é que vem o cerne da questão. Quem são os culpados por essa vergonhosa indisciplina? Os professores? Claro que não. A educação dos filhos é tarefa doméstica. É atribuição, responsabilidade dos pais, é claro, evidente. Mas com a frouxidão com que muitos pais se posicionam diante dos filhos, os pirralhos logo tomam as rédeas da situação e dão o tom da conversa. É aí que o caos começa a se instalar. O que os pais não entenderam ainda é que as crianças clamam por limites. Elas sentem necessidade disso. E quando percebem que os pais não apontam esse divisor, se rebelam. E na busca do limite vão avançando nas imposições, nas exigências. Cada uma do seu jeito, com suas estratégias. São espertas, logo percebem o ponto fraco dos pais. Se você quiser comprovar o que digo, vou lhe dar uma pista. Vá a um supermercado. Esse é o palco preferido, onde nossos ‘atores’ se manifestam com maior frequência. E atuam de forma ‘brilhante’. É um espetáculo. É assistir e se divertir. Filhos que choram, gritam, chutam as canelas dos pais. E os frouxos colocam um sorriso amarelo na cara e limitam-se a dizer por repetidas vezes: “não faz isso meu filho”!. Paspalhos! 

Dia desses entraram no mesmo elevador que eu estava, um casal e duas crianças. O menor, aparentando um pouco menos de 2 anos, estava no colo da mãe. E quando entraram, já estava aos berros. Naquele curto espaço de tempo, ele não poupou tapas e murros na cara da mãe, que se limitava a se defender e a simular um sorriso de vergonha. E o pai, um cara notadamente sem atitude, sem autoridade alguma, apenas abaixava a cabeça, sem esboçar reação alguma. Cena lamentável, mas corriqueira. E daí fiquei a me perguntar: estavam com vergonha do que? De quem? Se era vergonha da atitude do filho, mais uma vez cometiam um grande engano. Deveriam ter vergonha deles mesmos, por não terem controle sobre uma criança de no máximo 2 anos.

 E o reflexo dessa frouxidão vai para as salas de aula. Pois, acostumados a fazer o que bem entendem em casa, o mesmo repete-se nas escolas. Não vou mais me estender. O espaço não permite. Mas vou deixar registrado que, no meu entendimento, os professores deveriam receber o benefício da insalubridade. Com a péssima educação de boa parte dos estudantes e a proibição imposta ao professor de exercer autoridade sobre seus alunos, eles, educadores, com certeza, sofrerão abalos psicológicos e emocionais a curto prazo. É um preço que precisa ser ressarcido ou compensado. E, como percebo que nada está sendo feito na direção de mudar nossa “cultura” que incentiva e protege a má educação, mudei de ideia. O primeiro título é o que vai valer. Pais frouxos, são sim, uns bundões!!!

 

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