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Câmara é fechada por falta de segurança

Vereadores de oposição ao atual governo de Sangão acusam colegas da situação de perseguição política.

Rafael Andrade
Sangão

Não era bem o presente de aniversário que os sangãoenses estavam aguardando na festa de 25 anos de emancipação político-administrativa, comemorada na próxima quinta-feira, exatamente três dias antes da primeira eleição suplementar da história da cidade, uma das mais novas da região. Pois, nas últimas seis semanas, Sangão vive em uma espécie de conflito interno em suas repartições públicas (prefeitura, Câmara, secretarias), e também em alguns pontos como a Praça Central, aonde houve até registro de tiros há poucos dias. Algumas discussões encaloradas, brigas, arma apreendida, e até mesmo uma investigação policial, por parte da Polícia Civil. As últimas três sessões na Casa legislativa do município, sempre às quintas-feiras à noite, por exemplo, foram bem peculiares em relação a encontros… vamos dizer assim… ‘de dias comuns’.

São nove parlamentares, cinco da situação e quatro da oposição. Dois partidos disputam a majoritária neste pleito especial, marcado para o dia 2 de abril: PP e PMDB. O azul e vermelho já viraram bandeiras que cicatrizam corações de muitos eleitores na cidade, que é conhecida pela sua potencialidade na cerâmica de olarias, e por possuir um dos distritos mais desenvolvidos do Sul do Estado: o famoso Morro Grande.

Os vereadores da oposição: Adair João da Silva, o Dadal (PMDB), Alaelcio Antônio Teixeira (PMDB), Giovani Zarzeski (PMDB) e Alécio João Goulart (PSDB) acusam os colegas da situação de perseguição política, mais precisamente o presidente da Casa, João Gilson de Souza (PP), que decidiu, após assinatura do decreto 01/2017, em comum acordo com a mesa diretora, composta pela vereadora Silviane Silvano Goulart (PP), Valdeci Serafin, o Nego (PP), e Dadal, em fechar as portas da Câmara na sessão desta quinta, alegando falta de segurança e risco de brigas e/ou agressões dentro do parlamento municipal sangãoense. No decreto, fica bem claro que não houve debate neste dia porque as eleições suplementares estão bem próximas e, devido a recentes discussões e até mesmo lesões corporais (sob investigação policial), não havia condições de manter a sessão ordinária marcada. Foram 13 considerandos que levaram à decisão, considerada também histórica em Sangão. E na próxima quinta não haverá sessão porque será feriado municipal (aniversário de Sangão).

O Notisul tentou contato, por várias vezes, com João Gilson nesta sexta-feira, mas o telefone estava fora de área. O diretor da Câmara, Amarildo de Sá, confirmou que não era possível realizar a sessão, pois o risco era eminente para vereadores e população. “A presidência da Casa chegou a solicitar, por meio de ofício enviado à Polícia Militar nesta quarta-feira, a presença de 15 a 20 policiais, mas a PM retornou o pedido dizendo que não havia efetivo para enviar, o que acarretou no cancelamento da sessão em comum acordo com todos os membros da diretoria”, detalha.

No entanto, João Goulart, acusa a direção do parlamento de perseguição política e de uma manobra para que evitasse a sua defesa em plenário. “Meu nome foi citado em dois vídeos veiculado pela Coligação Sangão em Boas Mãos, que apoia o candidato do PP à disputada da majoritária no dia 2. Vou entrar com uma ação na justiça e tenho o direito de resposta, iria executar na Câmara, mas fui calado, impedido por um golpe. Havia condições de manter a sessão, estava tudo dentro da normalidade, sem riscos à segurança”, garante.

Dalmir Carara Cândido, o Pinto (PP) é postulante à prefeitura neste pleito, com Valdeci Serafim, o Nego (PP), como seu vice. Do outro lado, Herivelto de Castro Reynaldo (PMDB) encabeça a chapa da Coligação Pra Governar com Responsabilidade, com Paulo Jorge Machado (PMDB), como candidato a vice-prefeito. Eles disputam a preferência de cerca de 8,5 mil eleitores que voltarão às urnas em 2 de abril. Até lá – e sempre -, esperamos paz em Sangão.

Vereador João Gilson de Souza (PP) encaminhou o ofício à PM solicitando apoio à segurança da Casa legislativa de Sangão
Vereador João Gilson de Souza (PP) encaminhou o ofício à PM solicitando apoio à segurança da Casa legislativa de Sangão
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