Às quatro horas da tarde do dia 10 de fevereiro de 2011, o som de estampidos feriu os ouvidos dos homens, das mulheres e das crianças que transitavam pela avenida Marechal Deodoro, no centro de Tubarão. Eram tiros disparados pelas armas de assaltantes. Sem saber o que estava acontecendo e na ânsia de se proteger da mortal “chuva de balas”, os transeuntes deitaram-se no chão, correram à procura de algum abrigo ou simplesmente gritaram desesperados…
Mas, embora existisse o risco iminente de alguém ser encontrado por uma “bala perdida”, a realidade é que para os cidadãos trajados com roupas comuns, tudo não passou de um grande susto! Os tiros tinham um alvo certo, meu amigo Marcelo Goulart Silva. Atiraram nele por quê? Pelo simples fato de Marcelo estar vestindo o uniforme azul-marinho da Guarda Municipal de Tubarão (GMT).
Os autores dos tiros foram quatro bandidos que, alguns minutos antes, tinham assaltado uma relojoalheria. Quando já estavam dentro do carro e tentavam fugir, depararam-se com Marcelo realizando uma simples fiscalização de trânsito. Por mais incrível que isso possa parecer, o tradicional uniforme azul-marinho que ele vestia foi o suficiente para que os meliantes o condenassem à morte, pois para os bandidos não importa a cor da ‘farda’.
Marcelo foi covardemente atingido por três tiros, e na calçada da Marechal Deodoro caiu sem vida. Os jornais repercutiram amplamente o crime. Meses após o trágico fato, à custa do sangue inocente de um pai de família, os guardas municipais de Tubarão conquistaram o direito de trabalhar armados e protegidos por coletes balísticos. Naquela ocasião, embora ainda estivesse de luto, fiquei feliz de saber que os demais guardas municipais estariam seguros com os novos equipamentos adquiridos, pois assim os agentes da lei teriam o direito de proteger a própria vida.
Meu amigo Marcelo não teve essa chance! A Guarda Municipal obteve outras conquistas depois daquela tragédia. Quando tudo caminhava para o crescimento e fortalecimento da GMT, a atual administração chegou como um ladrão silencioso e dilapidou quase que totalmente a instituição municipal de segurança pública, deixando os agentes mais uma vez vulneráveis e a mercê da própria sorte.
O tempo passa, é claro. Para mim e para os meus colegas que servimos o exército com Marcelo, a dor da perda cedeu lugar às boas lembranças dos momentos vividos com ele. Sinceramente, eu preferiria não falar sobre este triste assunto. Mas hoje, quando me debrucei sobre o jornal e li a notícia de que os guardas municipais estão novamente desarmados, chorei.
E minha tristeza é em razão de que sei do risco de vida que correm os guardas municipais, estando o grupo novamente desarmado. Será que o poder público não entende que o mal é poderoso demais para ser combatido com as mãos vazias?
Espero que o prefeito Olavio Falchetti entenda de uma vez por todas que segurança pública não é brincadeira. Vidas estão em jogo. Juro que se mais algum guarda municipal tiver a sua vida perdida pela negligência do poder público, não terei dúvidas de afirmar que as mãos que comandam esta cidade merecem ficar eternamente sujas de sangue.
Atenciosamente,
Um soldado que serviu em 2001 com o guarda municipal Marcelo Goulart Silva.