A 2ª Vara Criminal de Imbituba redefiniu para esta quarta-feira (31), o interrogatório do oficial de cartório, Paulo Odilon Xisto Filho, de 36 anos, acusado de ter matado a namorada, a modelo gaúcha Isadora Viana Costa, de 22 anos. Ele foi denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina, acusado de cometer feminicídio.
A primeira data estabelecida para o interrogatório foi dia 20 de setembro. No entanto, a Justiça de Santa Catarina decidiu adiá-la, por conta de um pedido da defesa do acusado. Segundo os advogados do réu, ele preferia ser escutado depois de todas as outras testemunhas.
O acusado está preso preventivamente desde o dia 16 de julho. Na ação penal, ele é réu por homicídio qualificado, por motivo fútil e por usar recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Além disso, pode responder por fraude processual, ao supostamente modificar a cena do crime a fim de induzir a perícia ao erro.
Apontada como amiga do oficial de cartório, uma advogada também é acusada de modificar a cena do crime. De acordo com a Promotora de Justiça Sandra Goulart Giesta da Silva, ela teria levado do apartamento do acusado um lençol sujo de sangue e também outros objetos, como garrafas de bebida alcoólica.
A denúncia
Ainda segundo a denúncia do MPSC, atendendo ao chamado de Isadora, a irmã do oficial de cartório, acompanhada do noivo, foi até o apartamento do irmão por volta das 6 horas. O denunciado, trancado no quarto, não teria atendido aos chamados da irmã. A porta foi arrombada. Após constatar que ele estava bem, a irmã e o noivo foram embora. Assim que saíram, o oficial de cartório teria tido uma explosão de fúria.
Consta na denúncia que,como tentava esconder da família o vício, o acusado ficou furioso com a namorada pelo simples motivo dela ter chamado a irmã para socorrê-lo. Ainda de acordo com o Ministério Público de Santa Catarina, após matar a namorada, ele solicitou atendimento ao Corpo de Bombeiros, mas não a acompanhou no atendimento. O oficial de cartório teria ido ao hospital, após modificar a cena do crime e entregar a chave do apartamento para a amiga advogada, para que ela tirasse o lençol sujo.
A defesa
Baseados no exame toxicológico feito no corpo de Isadora, que acusou grande quantidade de cocaína e outras substâncias entorpecente em seu sangue, a defesa de Paulo diz que a morte teria sido causada por overdose em razão do uso de cocaína e afirma que o oficial de cartório é inocente.
“Posso antecipar que o Laudo revela uma quantidade absurdamente elevada de cocaína no sangue, dez vezes superior àquela que causou a morte do cantor Chorão, por exemplo. Além disso, também foi encontrado grande quantidade de medicamentos no sangue, agravando o quadro pela interação medicamentosa. Essa foi a causa – inequívoca e indiscutível – da morte. Quanto ao laudo, além de existirem graves erros metodológicos, ele também é muito claro em afirmar que não existem lesões externas”, declara o advogado.
O advogado ainda disse que Paulo Xisto prestou socorro ainda no apartamento, chamou o Samu e fez todo o possível para salvá-la. “A vítima apresentava lesões internas, decorrentes da mais de duas horas de Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) a que foi submetida. A literatura médica está eivada de trabalhos explicando que a RCP pode causar lesões internas, como no caso. Enfim, não houve agressão alguma e Paulo não matou Isadora”, afirma.
