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Visão embaçada, dificuldade para dirigir à noite, maior sensibilidade à luz e cores que parecem menos intensas estão entre os sinais de catarata que merecem atenção dos moradores do Sul de Santa Catarina. A doença costuma avançar lentamente e sem dor, fazendo com que alterações na visão sejam confundidas com consequências naturais do envelhecimento.
O alerta integra o Agosto Cinza, mês dedicado à conscientização sobre a catarata. A Sociedade Catarinense de Oftalmologia (SCO) chama atenção para a importância da avaliação médica diante de mudanças progressivas na capacidade de enxergar.
A preocupação aumenta com o envelhecimento da população. A catarata está diretamente relacionada à idade e pode comprometer atividades simples do cotidiano, como ler, dirigir, caminhar com segurança ou realizar tarefas sem ajuda.
Mudanças na rotina podem indicar avanço da catarata
A perda de visão causada pela catarata nem sempre é percebida de forma imediata. Como o problema evolui gradualmente, o paciente pode adaptar hábitos sem identificar que a visão está sendo comprometida.
Segundo o presidente da Sociedade Catarinense de Oftalmologia, médico oftalmologista André Augusto Frutuoso, essa adaptação pode esconder o avanço da doença.
“Envelhecer não significa ter que se conformar em enxergar mal. Muitas vezes, a pessoa adapta a rotina sem perceber o quanto a visão já foi comprometida. Deixa de dirigir à noite, precisa de mais luz para ler ou começa a depender de ajuda em atividades que antes fazia normalmente”,
explica.
Além da visão embaçada, o aumento do incômodo provocado por faróis e outras fontes de luz merece atenção.
Halos ao redor das luzes, dificuldade para enxergar em locais pouco iluminados, alteração na percepção das cores e mudanças frequentes no grau dos óculos sem melhora satisfatória também podem estar associadas à catarata.
Envelhecimento aumenta importância dos cuidados com a visão
A catarata ocorre quando o cristalino, lente natural transparente localizada dentro do olho, perde progressivamente sua transparência.
A idade é o principal fator de risco. Diabetes, tabagismo, exposição à radiação ultravioleta e uso prolongado de corticoides também podem favorecer ou acelerar o desenvolvimento da doença.
O cenário ganha relevância com o aumento da longevidade. No Brasil, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais passou de 8,7% da população em 2000 para 15,6% em 2023, segundo dados do IBGE apresentados pela entidade.
Para a população do Sul catarinense, o alerta reforça a necessidade de não tratar a perda progressiva da visão simplesmente como parte inevitável da idade.
“A catarata está diretamente relacionada à longevidade. Com o aumento da expectativa de vida, cresce também o número de pessoas que poderão desenvolver a doença. Por isso, cuidar da visão é parte importante de um envelhecimento com independência e qualidade de vida”,
afirma Frutuoso.
Em 2025, segundo as informações divulgadas pela Sociedade Catarinense de Oftalmologia, a cirurgia de catarata ocupou o primeiro lugar entre as filas de procedimentos cirúrgicos eletivos.
Catarata tem tratamento cirúrgico
Quando a catarata já está instalada, não existem colírios ou medicamentos capazes de reverter a doença. O tratamento é realizado por cirurgia.
O procedimento consiste na retirada do cristalino que perdeu a transparência e na colocação de uma lente intraocular.
Um conceito que mudou ao longo dos anos é a necessidade de esperar a catarata avançar muito antes de realizar a cirurgia.
“Está ultrapassada a ideia de que é preciso esperar a catarata ‘amadurecer’ para operar. A indicação considera o quanto a doença está comprometendo a visão e interferindo na vida do paciente”,
explica o presidente da SCO.
A decisão sobre o momento da cirurgia deve ser tomada após avaliação oftalmológica, considerando as condições de cada paciente.
Agosto Cinza reforça atenção aos primeiros sinais
A campanha Agosto Cinza busca ampliar a conscientização sobre uma doença que pode afetar diretamente a independência das pessoas, principalmente entre a população mais velha.
No Sul catarinense, familiares também podem observar mudanças de comportamento de pais, avós e outros idosos. Deixar de dirigir à noite, aumentar excessivamente a iluminação para ler ou passar a precisar de ajuda em tarefas antes realizadas de forma independente são situações que merecem atenção.
A orientação da Sociedade Catarinense de Oftalmologia é buscar avaliação diante de alterações progressivas da visão. O diagnóstico permite identificar se a dificuldade está relacionada à catarata ou a outro problema ocular.
Fique atento aos sinais
Entre os sintomas que merecem avaliação oftalmológica estão:
- visão embaçada;
- maior sensibilidade à luz e aos faróis;
- halos ao redor das luzes;
- dificuldade para dirigir à noite;
- dificuldade para enxergar em ambientes pouco iluminados;
- cores com aparência menos intensa;
- necessidade de mais iluminação para leitura;
- mudanças frequentes no grau dos óculos sem melhora satisfatória.
A avaliação oftalmológica é necessária para identificar a causa das alterações e definir, quando houver catarata, o momento adequado para o tratamento.
