Na madrugada do dia 23 de julho do ano de 1993, ocorreu na cidade do Rio de Janeiro um crime brutal que ficou conhecido mundialmente como “a chacina da Candelária”. Nesta data, durante a noite, aproximadamente 50 jovens moradores de rua dormiam nas escadarias localizadas na frente da Igreja da Candelária. Logo após a meia-noite, um grupo de homens efetuou vários disparos de arma de fogo contra esses moradores de rua, vindo a causar ferimentos mortais em oito deles.
O ocorrido, como não poderia deixar de ser, causou comoção nacional. Após investigação policial, conclui-se que os autores do fato faziam parte de um grupo de extermínio. Dois ex-policiais e outro homem foram a julgamento pelo crime, sendo todos condenados pelos crimes de homicídio e formação de quadrilha.
Não só no Rio, mas em muitas das grandes cidades brasileiras, era relativamente comum até o início dos anos 2000 ocorrerem chacinas como essa, cometidas contra menores moradores de rua ou contra qualquer tipo de aglomeração de pessoas menos favorecidas econômica e socialmente. Felizmente, na atualidade, cada vez menos se tem visto na televisão ou nas páginas policias dos jornais impressos notícias sobre chacinas. Elas ocorrem, porém com uma frequência cada vez menor.
Em recente viagem de estudos à cidade do Rio de Janeiro, juntamente com os colegas acadêmicos do sétimo semestre do curso de história da Unisul, verificou-se que na zona sul do Rio, abrangendo os bairros de Copacabana, Leme, Leblon, Ipanema, Laranjeiras, Botafogo, Aterro do Flamengo, entre outros, praticamente não se vê moradores de rua, sejam eles maiores ou menores de idade.
Como turistas e permanecendo apenas quatro dias na cidade, a impressão que ficou foi a de que a política pública para inclusão social e para a melhora da qualidade vida da população está colhendo bons resultados. A ocupação dos morros através das unidades de polícia pacificadora trouxe de volta a segurança e o controle do estado onde antes imperava o tráfico de drogas e o crime organizado. Porém, fica a dúvida se, após o término dos grandes eventos da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, os governantes dessa bela cidade terão a mesma vontade política de manter o controle sobre a ordem pública. Controle este que é fundamental para que novas chacinas como a ocorrida 18 anos atrás, em frente à Igreja da Candelária, não voltem a manchar de sangue as calçadas e o orgulho do povo carioca.
