Tatiana Stock
Tubarão
Os catarinenses têm sido frequentemente castigados pelas ações climáticas. Pelo menos 58 municípios registraram prejuízos causados pelo temporal que atinge todo o estado desde o fim de semana, e 17 cidades decretaram situação de emergência (até 19h30min de ontem). Na Amurel, a maioria das cidades sofreu ‘apenas’ os problemas de sempre – alagamentos, desmoronamentos leves e rios com o nível bem acima do normal. Imbituba, segundo relatório da Defesa Civil, foi o mais afetado: 12 famílias estão desabrigadas e 20 edificações danificadas.
Na noite de ontem, o rio Tubarão ficou 4, 40 metros acima do nível do mar, de acordo com a medição da estação meteorológica Oregon, localizada no bairro Vila Moema. Em função das chuvas torrenciais, alguns pontos da cidade ficaram alagados. A região em torno da rodoviária, por exemplo, ficou crítica.
“Tem só uma bomba de recalque, que não é suficiente para suprir a quantidade de água. Isso acontece porque as comportas da saída da tubulação do rio estão fechadas, e a água que está fora e não volta para o rio não consegue ser puxada por só uma bomba”, justifica o secretário de desenvolvimento urbano da prefeitura de Tubarão, Nilton de Campos.
Na avenida Getúlio Vargas, na beira-rio (em frente ao Angeloni), o solo ficou bastante vulnerável na margem e provocou deslizamento. Segundo Nilton, foram realizadas algumas ações emergenciais, como limpeza de bueiros e caixas coletoras, para minimizar os problemas.
De sexta-feira até as 19h30min de ontem, choveu 90 milímetros em Tubarão, praticamente o total de um mês em somente três dias. “Os rios já começaram a baixar. A população da região pode ficar tranquila em relação a inundações, pelo menos para os próximos dias”, tranquiliza o engenheiro químico da Oregon, Rafael Marques.
Rio Tubarão
O nível do Rio Tubarão exibido no site da estação meteorológica Oregon (a medição é feita no bairro Campestre) expressa a altura da água em relação ao nível do mar. Diferente da régua instalada atrás do Farol Shopping. Enquanto a estação apontava o rio 4,4 metros acima do nível às 16 horas de ontem, a régua indicava 3,9 metros.
Atenção!
Os motoristas que trafegam na SC-438 (entre Tubarão e Braço do Norte) e BR-101 (no trecho de Garopaba a Tubarão) devem ficar atentos quanto aos buracos em abundância.
No estado
A Defesa Civil de Santa Catarina registrou 82.384 pessoas foram afetadas, com 3.192 desabrigados, 2.194 desalojados e 6.689 edificações danificadas. A cidade mais prejudica foi Governador Celso Ramos, com dez mil pessoas afetadas.
Em Içara, o vendaval afetou mais de seis mil pessoas e deixou dez famílias desabrigadas e 43 desalojadas. Em Araranguá, o vendaval afetou mais de duas mil pessoas foram afetadas e 562 edificações danificados.
Outras cidades
da região
• São Ludgero – o nível do rio subiu um metro durante o dia de ontem e alcançou 4,16 metros acima do nível.
• Orleans – o rio manteve-se na média de dois metros acima do nível normal.
• Braço do Norte – das 7 às 17 horas de ontem, o nível do rio passou de 2,5 metros para 4,5 metros.
• Laguna – foram registradas quatro ocorrências de alagamentos no perímetro urbano. “Mas nada grave”, relatou o sargento José Feliciano Alves, do Pelotão de Bombeiros Militar de Laguna.
• Jaguaruna – os bombeiros voluntários informaram que, na Praia do Campo Bom, uma tromba d’água, formada durante a tempestade da madrugada de domingo, arrancou o telhado inteiro de uma casa. “Toda a parte superior da residência foi arrancada. Havia sete pessoas, e ninguém ficou ferido. Utilizamos uma unidade de resgate com três bombeiros e uma ambulância”, conta o soldado Maicon Lauriano.
• Grão-Pará – o maior prejuízo será contabilizado na agricultura. Aproximadamente 30% da safra do fumo já está comprometida. Houve deslizamentos, e nenhuma estrada foi interrompida.
• Santa Rosa de Lima – houve queda de barreiras e deslizamento de encostas.
Caminhão cai em cratera ‘surpresa’
Wagner da Silva
Braço do Norte
Em Braço do Norte, um caminhão da prefeitura caiu em uma cratera ‘surpresa’ em uma rua recém-calçada. Por conta das fortes chuvas, o solo cedeu.
O veículo da secretaria de obras ficou preso no buraco por mais de duas horas. Felizmente, o motorista e o passageiro saíram ilesos.
Na SC-407, que liga Santa Rosa de Lima a Anitápolis, uma pedra rolou sobre a pista e interrompeu parcialmente o tráfego. O secretário de obras de Santa Rosa de Lima, Lourivaldo Schmitz, explicou que será necessário o uso de explosivo para remover a rocha.
“Muitas pontes e bueiros no interior estão submersos e ainda não se pode contabilizar os estragos. É preciso que as águas baixem para fazer uma avaliação dos danos”, analisa Lourivaldo.
