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Cidadania e fé no futuro

O mundo ideal, aquele que desejamos, ainda é um verdadeiro canteiro de obras no século 21. Injustiças, violência, sofrimento e falta de solidariedade são apenas algumas das nuances do contexto presente, as quais, muitas vezes, colocam nossa esperança à prova. 

No entanto, estas mesmas mazelas são os desafios que movimentam a universidade em sua jornada cotidiana e a desafiam a produzir conhecimentos que possam redundar em soluções que ajudem a tornar a vida em sociedade melhor. Questões tão desafiadoras e complexas quanto as que envolvem os problemas de saúde, de educação, de tecnologia, organizacionais, de meio ambiente, dentre outros, são as que mobilizam a academia, em suas várias áreas, e a estimulam a pensar e a usar a ciência em favor da coletividade.

Ao entrarmos no mês de junho, desejamos enfatizar com especial destaque o papel da universidade no tratamento e discussão das questões ambientais. O tema, naturalmente, sugere particular atenção, não apenas do ponto de vista pontual, quando aludimos ao Dia Mundial do Meio Ambiente, lembrado nesta sexta-feira, mas em todo o período corrente de um ano. 

A relação do homem com a natureza, ao longo dos tempos, tem trazido efeitos colaterais indesejáveis, os quais hoje nos colocam sob alerta, por conta do aumento dos fenômenos naturais pelas mudanças climáticas. De outra parte, os processos sociais desiguais, em decorrência de uma sociedade humana com forte concentração de renda e movida pelo consumismo, ajudam a agravar o quadro no âmbito global. 

O cenário aqui exposto, que caracteriza a crise socioambiental contemporânea foi um dos agentes motivadores maiores da Unesc para realizar na semana que passou a sua 10ª Semana de Meio Ambiente e Valores Humanos. O objetivo alcançado foi de mobilizar funcionários, acadêmicos, professores e comunidade em torno da reflexão sobre temáticas ambientais de interesse coletivo. 

Palestras, mesas-redondas, debates e outras atividades educativas fizeram parte da programação, trazendo à tona problemáticas abarcadas pelo conceito de justiça ambiental. Entre estas, a questão da acessibilidade, a questão indígena, as pragas urbanas, populações afetadas pela poluição eletromagnética, os recursos hídricos e inclusão social de catadores de material reciclável.

É sabido que não se resolve tantos problemas num passe de mágica, considerando seu grau de complexidade. Riscos como o da escassez de água potável pela falta de gestão hídrica e poluição dos rios e córregos, da baixa qualidade do ar pela emissão de poluentes ou da perda de qualidade e fertilidade do solo pelo uso inadequado devem ser compreendidos, considerando os conhecimentos tradicionais e científicos. 

Neste sentido, promover a discussão sobre tais questões ajuda a criar a condição histórica que abrirá caminhos para a sua superação, ao passo que a aproximação das pessoas em torno de temas de interesse comum contribui igualmente para a mobilização a este fim. A preocupação da Unesc em relação às questões ambientais está manifestada em seus documentos institucionais, como o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), os quais reforçam o seu comprometimento de Universidade Comunitária em contribuir para melhorar o ambiente de vida. Compromisso maior presente em sua missão. 

O futuro a ser buscado pode até ser considerado utópico. Ver um mundo mais solidário, ambientalmente sustentável e feliz parece estar fora de nosso campo de visão no presente. Contudo, como bem ensina o saudoso escritor uruguaio Eduardo Galeano: “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”.

 

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