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Clima afeta abastecimento de energia na região

Acúmulo de salitre nos isoladores da subestação de Imbituba causou a falta de energia em cinco municípios.

Imbituba

O vento Nordeste e o tempo seco que persiste na região têm causado estiagem, baixa no nível dos rios, transtornos na agricultura e nessa semana trouxe mais um problema: a falta de energia elétrica. Os municípios de Imbituba, Laguna, Imaruí, Garopaba e Paulo Lopes foram surpreendidos na noite de segunda-feira e manhã desta terça com o desabastecimento de energia.

As Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) explicam que a queda foi ocasionada por uma sequência de defeitos no sistema elétrico local, associada à presença de salitre nos equipamentos, vento Nordeste de moderado a forte e o tempo seco reinante. “O salitre, tecnicamente chamado de névoa salina, característico da região litorânea do Estado, especialmente na afetada, é altamente danoso ao sistema elétrico, pois age como condutor de energia, prejudicando o isolamento de equipamentos como isoladores e chaves”, detalha, em nota, a estatal.

A série de defeitos que provocou a falta de energia na região foi registrada no sistema da Celesc Distribuição e da Eletrosul. Os problemas tiveram início por volta das 17h45 de segunda, com registro de breves interrupções no fornecimento de energia. Logo após, por volta das 19h, foi registrada ocorrência na subestação de Imbituba, que abastece as subestações de Laguna e Garopaba, provocando a interrupção do fornecimento de energia para Imbituba, Imaruí, Laguna e Garopaba.

Equipes já estavam mobilizadas na região e deram início ao processo de recuperação do sistema. O Corpo de Bombeiros também auxiliou na operação para lavar os isoladores e amenizar as faíscas que poderiam causar incêndio no local. Finalizada a operação no sistema da Celesc Distribuição, não foi possível energizar a subestação e, já na madrugada, foi descoberto problemas na linha de transmissão pertencente à Eletrosul, que abastece a subestação de Imbituba. No pico do problema, 63 mil unidades consumidoras ficaram sem energia elétrica. Equipes técnicas continuarão mobilizadas até que todo o sistema esteja normalizado.

 

Celesc Regional de Tubarão enfrenta dificuldades de manutenção
O gerente da área técnica da Celesc na regional de Tubarão, o engenheiro Claudionor Souza Santos, relata que os equipamentos precisam de manutenção e, com os últimos vendavais e fenômenos climáticos, a rede elétrica está desgastada. Ele relembra que uma situação semelhante ocorreu em 2006, quando utilizaram uma técnica de purificação da água para lavar os isoladores de forma segura. Desde então, a agência não dispõe de tecnologias e suporte para agir em situações atípicas. “O que nos preocupa são os constantes ventos. Nossa rede está ‘estressada’ e se continuar com as oscilações climáticas ocorrerá novos transtornos. Infelizmente, das 15 regionais da Celesc, Tubarão é uma das menos assistidas pela estatal. Estamos atuando de forma isolada, com falta até de postes de madeira para manutenção básica”, alerta o gerente.

Para Claudionor, a região precisa unir forças políticas para atrair novos investimentos e assim melhorar a qualidade de abastecimento de energia elétrica.
“Tivemos o quadro de funcionários reduzido e nessa operação, as equipes atuaram horas seguidas para resolver o impasse. Na região, percebemos que Imbituba está crescendo no consumo de energia, já Tubarão estagnou. Precisamos ser atendidos, pois como que as indústrias investirão em uma localidade que não consegue manter o sistema de abastecimento de energia? Vamos trabalhar em busca de apoio para o nosso desenvolvimento”, pede.

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