
Kalil de Oliveira
Tubarão
Famílias unidas, pais abraçados aos seus filhos, aplausos e muitas fotografias marcaram o dia ensolarado de ontem com a passagem da tocha olímpica por Tubarão, com início às 8 horas, e cerca de três quilômetros de revezamentos.
Entre os 16 condutores, despontaram atletas tubaronenses como a nadadora Fernanda Delgado, integrante da seleção brasileira de natação juvenil, e o maratonista Clemente de Sousa, com mais de 600 troféus, 1,2 mil medalhas e 40 mil quilômetros no currículo.
“É um momento glorioso. Eu que trabalhei 53 anos em uma empresa, saía para o trabalho, ia direto para a pista de atletismo. Sempre participei de esporte. Foram mais de 400 vitórias na carreira, mas o momento que vai coroar a minha vida esportiva eu considero que é hoje (ontem)”, comemorou Clemente, emocionado, ao ser abraçado pela esposa, neto e amigos na chegada à praça de Oficinas.
Outro nome de destaque foi o atleta paraolímpico Ezequiel de Souza Correa, mais conhecido como Zico, morador de Capivari de Baixo, e atual campeão brasileiro de halterofilismo na categoria até 72 quilos. “Hoje é um momento único da minha vida, conduzir o espírito das olimpíadas e paraolimpíadas me traz muita felicidade”, declarou o jovem de 28 anos que viaja terça-feira para São Paulo para disputar a terceira etapa do campeonato brasileiro da sua modalidade.
Condutores emocionam público
Quem abriu o revezamento foi o professor de educação física e árbitro de futebol Mayck Costa. Antes da tocha ser acesa e iniciar o trajeto, ele foi bastante requisitado para fotos com amigos e curiosos.
Enquanto isso, em frente ao Farol Shopping, as pessoas recebiam réplicas da tocha, batecos, luvas de urso e latinhas de refrigerante dos patrocinadores. Pontualmente às 8 horas, as sirenes dos batedores da Polícia Federal ecoavam na avenida Marcolino Martins Cabral para a saída histórica, com uma dezena de agentes de segurança envolvendo o condutor e evitando que qualquer pessoa se aproximasse. Foi assim até o fim do trajeto.
Sempre muito atenciosos, os que levavam a tocha acenavam para as pessoas e retribuíam com sorrisos a todo momento. Nos pontos de revezamento, o condutor anterior subia em um ônibus para continuar o percurso até a chegada na praça de Oficinas. Lá o maratonista Clemente de Sousa entregou a chama a um representante do revezamento que seguiu com o comboio para Laguna.
No palco montado pela prefeitura de Tubarão na praça de Oficinas, os organizadores avaliaram uma concentração de quatro mil pessoas que acompanharam atividades culturais durante todo o domingo.
Vibração catarinense agradou os organizadores
Para a produtora cultural carioca Maria Almeida, 31 anos, desde que a coordenação do revezamento chegou em Santa Catarina, ela vem se encantando com o respeito e a organização das cidades participantes. Maria e o turismólogo Arthur Barbosa, 27 anos, de Manaus, foram os responsáveis por recepcionar os condutores, ambos pela primeira vez em Tubarão. “É uma troca cultural muito interessante, mesmo não tendo tempo de visitar o município e seus pontos turísticos. A gente aproveita um pouco mais quando é a cidade na qual a tocha passa à noite”, revela Arthur, que tem amigos em Balneário Camburiú.
Maria presenciou a última tentativa de agressão ao símbolo olímpico, que ocorreu em Porto Alegre. “Isso não atrapalha porque os condutores estão muito empolgados”, avaliou. A rotina do grupo ontem foi a saída de Criciúma às 4 horas e a chegada às 20 horas em Florianópolis, passando por Laguna.
Comitê Olímpico Internacional acompanha evento
Em Tubarão, o evento histórico do revezamento da tocha olímpica contou com membros do Comitê Olímpico Internacional, cuja identidade é mantida em sigilo por segurança.
Sem contar o aparato policial, a logística envolve, só de organizadores, em torno de 400 pessoas de todo o Brasil em caminhões abarrotados de brindes, ônibus e carros plotados com a marca dos patrocinadores.
Os envolvidos diretos com o evento estão fora de suas cidades desde o início de maio, com a saída da tocha da capital federal.
Com uma rotina de 16 horas diárias, essas pessoas se revezam nas cidades por onde passa o combio, incluindo um discreto veículo com observadores do Comitê Olímpico Internacional do Brasil, Estados Unidos, Canadá e Austrália.
Em Tubarão, cerca de 40 voluntários da prefeitura ajudaram nos trabalhos ao lado de homens da Força Nacional de Segurança, polícias Civil e Militar, PRF, Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e outros.
Autoridades de segurança atuaram em várias frentes
Aproximadamente 60 policiais militares se posicionaram em locais estratégicos, orientando os desvios no trânsito para a segurança dos condutores. Assim que a tocha passava, a área era liberada. Além disso, o pessoal especializado da PM fez vistorias anti bomba no palco da festa e cuidou da segurança.
Uma meia dúzia de carros permaneceu estacionada no caminho entre o Farol Shopping e a praça de Oficinas. Mesmo assim, o comando avaliou que não seria necessário removê-los, como cogitado na última semana.
O delegado da DIC de Tubarão, Rubem Antônio Teston da Silva, orientou os policiais a ficarem infiltrados no meio da população. Além disso, duas viaturas ostensivas seguiram o fogo olímpico.
“É um momento histórico para o Brasil e também para Tubarão. Mostra a importância do município no contexto nacional”, avaliou Teston.
Para o inspetor Alissom Machado, da Guarda Municipal de Tubarão, o ponto mais crítico seria a subida do morro da Catedral. “Atuamos para manter a integridade física dos condutores, vendo e revendo cada detalhe. Esteve tudo sob controle”, afirmou.
Com a conclusão do percurso, na praça de Oficinas, o chefe da 2ª Delegacia da PRF de Tubarão, Laerte Silveira, também mostrou-se satisfeito com os trabalhos. “Foi um percurso muito tranquilo, sem nenhum incidente”, disse momentos antes do símbolo olímpico seguir para Laguna, por volta das 8h30min. A PRF atuou com 13 homens nas atividades operacionais e quatro no setor de inteligência.
Tubaronense levou a tocha no RS
Emocionado, o tubaronense Amarildo Nascimento esteve no sábado no município de Torres, a última cidade gaúcha a receber o revezamento da tocha olímpica. “Foi honroso, emocionante e uma felicidade. Momento único. Foi um evento com excelência, onde a multidão acompanhava emocionada a chama olímpica. Este momento ficará marcado para sempre em minha vida”, comemorou.
Em Laguna, Marronzinho foi homenageado
Estava entre os mais emocionados o último condutor da tocha em Laguna, João Paulino da Silva. Sua participação foi uma homenagem ao filho, o tricampeão brasileiro de motocross e 16 vezes campeão catarinense, Marronzinho, que morreu durante um treino em 2012. A pira foi acesa no Centro Histórico, ao lado do museu Anita Garibaldi, na praça da República, e seguiu para Florianópolis.