
Silvana Lucas
Tubarão
Não está confirmado pelo governo de Santa Catarina o encaminhamento que o executivo dará no Presídio Regional Masculino de Tubarão, após a saída da empresa Montesinos Administradora Prisional, responsável pela administração da unidade. O contrato deverá ser encerrado e os trabalhadores permanecerão somente até o dia 29.
Diante das 30 demissões já realizadas e os mais de 120 funcionários contratados somente até o fim deste mês, um grupo foi formado ontem para buscar uma nova alternativa para a empresa permanecer no presídio.
“Estamos unindo forças e pedindo apoio à classe. Nossa comissão irá amanhã (hoje) levar a atual situação da unidade diretamente à secretária de justiça e cidadania, Ada Faraco De Luca, que estará em um evento em Laguna, e que precisa ouvir a nossa reivindicação”, informa o agente de controle do presídio e membro da comissão, Jeferson Norberto Amaral da Silva.
Pedro Eduardo Mazeero Fernandes, agente prisional com mais de sete anos de trabalho, é categórico em afirmar que a posição do estado é totalmente política. “No estado existem presídios novos que vão precisar dos 40 funcionários que estão designados para atuar no presídio do município. Então, por que os concursados não vão para estes locais? Por que esta rescisão, se a nossa unidade é organizada, segura e de qualidade, diferente do que era antes o antigo local administrado pelo estado? Se nada foi feito, o município terá 600 pessoas desempregados, se contarmos com as outras empresas que já fecharam as portas na Cidade Azul neste ano”, questionaPedro.
Outras questões
Conforme os funcionários, as reivindicações não ficam somente por conta das perdas empregatícia e salarial. Outras preocupações também fazem parte. “A saúde dos apenados é o que mais será atingida com a diminuição dos trabalhadores. Nós distribuímos diariamente medicamentos para mais de 300 presos, com prescrições de até duas vezes ao dia. Como vão ficar os tratamentos de depressão, esquizofrenia, pressão alta, bipolaridade, diabete e tantas outras doenças que precisam de acompanhamento?”, indaga a farmacêutica do local, Lanataner Fernandes.
Apoiadores
O presidente do Sindicato dos Vigilantes da Cidade Azul, Serafim Medeiros Aguilera, também compareceu na reunião e declarou que a entidade apoia os encaminhamentos dos trabalhadores do presídio, grupo no qual o sindicato é representante. Além do movimento sindical, João Batista Blasius, membro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) da cidade também esteve na assembleia. “Apoiamos os funcionários da Montesinos. Acompanhamos o trabalho que eles realizam no dia a dia da unidade e também nos preocupamos que as garantias dos presos sejam respeitadas”, destaca João Batista.