Início Saúde Criciúma é pioneira em SC ao oferecer sensor de glicose gratuito a...

Criciúma é pioneira em SC ao oferecer sensor de glicose gratuito a crianças

IMAGEM Eduarda Salazar Divulgação Notisul

Tempo de leitura: 6 minutos

Noites sem dormir, inúmeras picadas no dedo e vigilância constante. Essa era a rotina de dezenas de famílias em Criciúma que convivem com o diabetes tipo 1. A realidade começou a mudar com a implantação do sensor de glicose Criciúma, iniciativa do Governo Municipal, por meio da Secretaria de Saúde.

O município tornou-se o primeiro de Santa Catarina a garantir acesso gratuito ao dispositivo para crianças e adolescentes cadastrados na rede de atenção básica.

Implantado em agosto de 2025, o programa atende atualmente 40 pacientes entre dois e 14 anos com o dispositivo FreeStyle Libre, que permite o monitoramento contínuo da glicemia sem as tradicionais picadas no dedo.

Da UTI a uma nova rotina

A vida da família de Isabele Gomes Soares, hoje com 13 anos, mudou em 2017. O que parecia uma virose evoluiu para cetoacidose diabética, condição grave causada pela falta de insulina. A menina precisou ser internada por quatro dias em UTI, quando recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1.

Antes do sensor de glicose Criciúma, Isabele precisava furar o dedo até sete vezes por dia.

“As picadas fazem com que eles percam a sensibilidade no dedo, incomodam e doem. Tinha choro, às vezes o dedo não dava certo e precisava furar de novo. Era um processo muito difícil”, relata a mãe, Daniele Lopes Gomes.

Com o sensor, o monitoramento ocorre em tempo real por meio de aplicativo no celular. A tecnologia permite acompanhar variações após alimentação e atividade física, ampliando a autonomia da adolescente.

“Pensando no futuro, isso é essencial. O sensor ajuda a preparar ela para a vida, para ter autonomia e segurança”, completa.

Noites de vigilância constante

Elisa Ronchi Flausino recebeu o diagnóstico aos dois anos, em 2022. Antes do sensor de glicose Criciúma, a rotina da família era marcada por interrupções constantes do sono.

“Eu não dormia. Colocava despertador para acordar várias vezes e medir a glicemia. Me sentia culpada até de comer um doce”, conta a mãe, Daniela Flausino.

Com o monitoramento contínuo, a família passou a ter mais segurança para tomar decisões diárias.

“Hoje eu e ela dormimos. Conseguimos ajustar e decidir com mais tranquilidade. A vida familiar melhorou”, afirma.

Política pública e acompanhamento especializado

O prefeito Vagner Espindola destaca o impacto social da iniciativa.

“Não estamos entregando apenas um sensor, estamos devolvendo qualidade de vida, autonomia e esperança”, declara.

O secretário de Saúde, Deivid de Freitas Floriano, reforça que o dispositivo permite controle mais preciso da glicemia e decisões mais seguras sobre alimentação e uso de insulina.

O acompanhamento ocorre por meio do Ambulatório Íris, serviço especializado da Secretaria Municipal de Saúde, localizado no Centro Especializado em Saúde da Mulher, Criança e Adolescente (CESMCA), no Distrito de Rio Maina.

O ambulatório conta com equipe multiprofissional formada por enfermeira, técnico de enfermagem, endocrinologista pediátrico, nutricionista, psicóloga e assistente social.

Desde agosto de 2025, já foram realizados cerca de 350 atendimentos.

Segundo a coordenadora da Área Técnica em Saúde da Mulher, Criança e Adolescente, Lucimara Nunes, o Ambulatório Íris foi criado para oferecer atendimento integral e humanizado às famílias.

Como funciona o acesso

O encaminhamento dos pacientes com diabetes tipo 1 ocorre pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Após consulta com endocrinologista pediátrico e cumprimento dos critérios do programa municipal, o paciente passa a receber o sensor gratuitamente.

A iniciativa do sensor de glicose Criciúma busca melhorar o controle glicêmico, prevenir complicações e reduzir internações hospitalares.

Sair da versão mobile