Início Especial Depois do susto, Emi descansa em casa

Depois do susto, Emi descansa em casa

Bombeiro durante resgate nesta terça-feira: heroísmo foi publicado na edição impressa e online do Notisul e nas redes sociais do jornal - Foto:Bombeiros Militares de Tubarão/Divulgação/Notisul
Bombeiro durante resgate nesta terça-feira: heroísmo foi publicado na edição impressa e online do Notisul e nas redes sociais do jornal - Foto:Bombeiros Militares de Tubarão/Divulgação/Notisul

Kalil de Oliveira
Tubarão 

“As redes sociais me impressionaram muito”, conta o empresário do ramo de seguros, Glauco Caporal, dono da cadela Emi, da raça labrador, que proporcionou um raro salvamento no rio Tubarão na tarde desta terça-feira. “Liguei para todo mundo, procuramos nos lugares de costume, mas nunca imaginava que ela estaria no rio. Foi a minha irmã postar um alerta no Facebook e em 30 ou 40 minutos já sabia que houve o resgate”, detalha Glauco.

O proprietário da Agropecuária Nunes (na beira-rio), Edvaldo Souza Nunes, que cuidou de Emi após o resgate, informa que esta é a primeira vez em 30 anos de existência do estabelecimento que ele soube de um animal que se afogou no imponente rio Tubarão. “Tem cachorros que fogem de casa e ficam semanas fora até serem encontrados. Já ocorreu de o animal vir aqui para a loja sozinho e identificarmos que era de certo cliente”, destaca. 

Segundo Edvaldo, Emi estava bastante cansada. Comeu, bebeu água e tomou banho morno. Por volta das 14 horas de terça os donos apareceram. “Recebemos o telefonema da dona, que estava viajando e viu a foto do resgate na internet”, relata. Pelo menos uma vez por mês ele recebe animais desaparecidos na loja, que não são cachorros de rua.

“Ninguém queria ajudar”
A jovem Amanda Pacheco, de 28 anos, foi uma das primeiras a avistar a cadela Emi no rio Tubarão nesta terça-feira. Ela descreve como foi a ocorrência, que iniciou por volta das 10 horas e se estendeu até por volta do meio-dia. A labrador caiu na margem direita, atrás do Farol Shopping, e foi socorrida na outra margem do rio, pelos bombeiros militares.

“Estávamos eu e a filha do meu namorando andando de skate na beira-rio quando duas meninas nos pediram ajuda porque tinha um cachorro se afogando. Liguei para os bombeiros na mesma hora e nos foi informado que não poderiam fazer nada, pois estavam atendendo outra ocorrência. O atendente nos aconselhou a tentarmos tirar nós mesmas o cachorro do rio. Até então, achávamos que era um cachorro de rua. Como estávamos na margem direita e ela havia atravessado o rio, coloquei as meninas no carro e fomos para lá. Já na sinaleira do posto, as duas meninas desceram correndo em direção à beira-rio, onde tinham alguns soldados correndo. Elas pediram ajuda para eles, mas sem sucesso. Estacionei o carro e desci no rio, tentando achar algum pedaço de madeira que pudesse servir para ajudar a cachorra a subir. Ela estava nadando em círculos, desorientada e muito cansada. Enquanto eu tentava salvar a cadela, as meninas estavam na rua pedindo ajuda. Creio que um carro da polícia tenha passado e parou. Foi quando chegou a ajuda. Esses policiais acionaram outros, que acionaram outros, e foi todo mundo para a margem do rio, mas não tinha jeito, precisava entrar para poder salvá-la. Tentei conseguir com alguém aquelas pranchas grandes (stand-up), mas não deu certo. Uns dois policiais estavam tirando o fardamento para entrar na água, mas, na hora, os bombeiros chegaram e foram supereficientes. Encaminhamos o animal para a agropecuária, onde teve os primeiros cuidados”.

Emi foi presente de aniversário
Aos 17 anos, a cadela Emi já é um animal idoso. Ela faz parte da família Caporal. Foi um presente de aniversário para a filha do casal Glauco e Andréa, quando a menina tinha apenas 2 anos. 
Glauco conta que foi pessoalmente ao Corpo de Bombeiros de Tubarão agradecer aos homens que resgataram Emi de uma morte quase certa. Como os bombeiros, o sargento Souza e o cabo Mattos estavam de folga, o empresário pretende voltar na próxima segunda-feira. “Ultimamente, a Emi estava bastante preguiçosa em casa. Foi ela sair e apronta essa travessura”, brinca o dono.
O empresário diz ainda que é a terceira vez que a cadela foge de casa. Geralmente, seguia pela avenida Marcolino Martins Cabral e era resgatada próximo do quartel do Exército. Ela não é completamente cega. Devido à idade, tem catarata em uma das vistas. A audição está bastante comprometida.

Quais foram os primeiros animais a serem domesticados?
Provavelmente, foram os lobos asiáticos, ancestrais dos cães domésticos que conhecemos hoje. Lobos e seres humanos teriam vivido lado a lado durante muito tempo e os restos encontrados indicam que a domesticação começou por volta de 12 mil anos atrás, no sudoeste da Ásia, na China e na América do Norte. “Esse processo teve profunda influência no desenvolvimento da economia e da estratificação social dos primeiros grupos humanos, levando ao surgimento das primeiras sociedades estáveis”, diz o biólogo e fisiologista americano Jared Diamond.

 

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