
Amanda Menger
Tubarão
A sexta-feira foi de angústia e espera para a dona de casa Celi Salvato André, de Tubarão. Ela mora no fim da avenida Altamiro Guimarães, em Oficinas. Com o vendaval de quinta-feira, parte de sua casa ficou destelhada e ela não conseguiu ajuda para recuperar os estragos.
“Eu saí para recolher as roupas das minhas filhas que estavam no varal. Quando estava voltando para a minha casa, ouvi um estouro. Voltei para a casa das meninas porque pensei que tinha sido lá o problema, como não achei nada, fui para a minha. Quando cheguei, vi o estrago”, conta a dona de casa.
As telhas voaram tão longe que nem foi possível achar os cacos. Como o marido de Celi, o pedreiro Emerson Silveira de Abreu, trabalha em Laguna, ela pediu ajuda ao vizinho, o representante comercial Luiz Ribas. “Ele tentou me ajudar, ligou para várias pessoas, mas ninguém veio”, diz Celi.
Luiz ligou para a Defesa Civil do município ainda na quinta-feira. “Liguei primeiro para os bombeiros. Eles disseram que esta parte de lona era com a Defesa Civil e deram dois números, um convencional (3628-4377) e outro celular, do coordenador, José Luiz Tancredo. Tentei os dois e ninguém atendeu. Tentei comprar uma lona também, mas o comércio já estava fechado”, relata Luiz.
Nesta sexta-feira, Celi ligou novamente para os bombeiros. “Mas eles disseram que não podiam ajudar. Aí liguei para o meu marido para que ele viesse o mais rápido possível de Laguna. Se não conseguir uma lona e chover durante o fim de semana, estragará o pouco que tenho”, lamenta Celi. Até o fim da tarde de sexta, a casa continuava sem cobertura.
O que diz a Defesa Civil
O coordenador da Defesa Civil de Tubarão, José Luiz Tancredo, e outros quatro integrantes do órgão estavam em São Paulo durante esta semana. Eles participaram de um encontro com representantes da Defesa Civil de outros municípios e estados do país. Segundo ele, os outros quatro integrantes estavam em Tubarão e trabalharam até tarde na quinta-feira.
“Só recebemos três ligações com pedidos de ajuda. Como sabemos os locais onde ocorrem a maior parte dos problemas, os que estavam na cidade foram a campo logo após o temporal. Eu fiquei monitorando a situação por telefone. Com relação à ligação deste leitor do jornal, pode ser que no momento que ele tenha ligado o pessoal estivesse em campo”, pondera Tancredo.
O coordenador afirma que a equipe não trabalha em regime de plantão. “A não ser que seja estado de emergência ou tenhamos recebido algum alerta da Defesa Civil do estado. Fazemos o melhor possível, mas também precisamos de ajuda da comunidade. Esta senhora poderia ter nos procurado hoje (sexta-feira). Ficamos além do nosso horário (referindo-se ao horário da prefeitura, das 7 às 13 horas) para atender quem nos procurasse”, afirma Tancredo.
As três ligações recebidas foram de escolas estaduais destelhadas (Henrique Fontes e Célia Coelho Cruz), de duas casas destelhadas, nos bairros Cruzeiro e Bom Pastor, e também da morte da dona de casa Albertina Sueth Peters Scremin, 55 anos. Ela morava em Rio do Pouso Alto e foi atingida por uma árvore quando voltava para casa. Albertina foi socorrida, mas chegou ao Hospital Nossa Senhora da Conceição já sem vida. O enterro ocorreu sexta-feira.
Contato
Os telefones da Defesa Civil do município que constam no site da prefeitura de Tubarão são: (48) 3632-8402 e (48) 3628-4377.
Dia de contabilizar os prejuízos
O choque de uma frente fria com uma massa de ar quente provocou um vendaval na tarde de quinta-feira. Os ventos passaram dos 100 quilômetros por hora em vários municípios, e causaram muitos problemas. Sexta-feira, foi o dia de ‘arrumar a casa’.
Em Capivari de Baixo, o prefeito Luiz Carlos Brunel Alves (PMDB) e o secretário de obras da prefeitura, Sinésio Alves, percorreram os bairros mais atingidos pelos ventos. Funcionários da prefeitura retiraram galhos e árvores caídas em ruas. A secretaria de assistência social da prefeitura cadastrará as famílias que tiveram prejuízos para receberem o auxílio necessário. Uma escola (acima) teve o telhado atingido por uma árvore que foi arrancada pela raiz.
Em Tubarão, algumas casas e estabelecimentos comerciais foram destelhados. Entre os prejuízos já contabilizados, está o telhado da igreja Santo Anjo da Guarda (acima), na Guarda Margem Esquerda. Estima-se que sejam necessários R$ 10 mil para consertar os estragos, já que a cobertura tinha sido reformada recentemente. Algumas árvores também foram arrancadas com a raiz e até uma parte do muro que dá acesso ao campo de futebol do Santo Anjo desabou.
O prefeito de Imbituba, José Roberto Martins, o Beto (PSDB), decretou nesta sexta-feira situação de emergência devidos aos estragos causados pelo vendaval. O número de casas destelhadas não foi confirmado, mas o prefeito autorizou a compra de 500 telhas para os casos que receberem o aval da assistência social da prefeitura. Além disso, 18 instituições de ensino da rede municipal tiveram algum tipo de dano e receberão reparos nos próximos dias.