Pensar na igualdade é pensar nas especificidades propondo a equidade de fato. Mesmo que se justifica a inviabilidade na criação destes órgãos, o que se precisa priorizar é a capacitação permanente dos serviços públicos para o atendimento humanizado e politicamente correto de uma minoria que precisa acessar aos mecânicos disponibilizados a toda a sociedade. Exemplos como esses são realizados atualmente no Brasil, em diferentes estados e municípios, o que precisa é querer e ter humildade de aprender com outras experiências, com a universidade nas produções de pesquisas e com entidades da sociedade civil.
Longe da superação da desigualdade social de travestis e transexuais que se pretende o movimento de Articulação de Travestis e Transexuais (Antra), temos algumas conquistas a serem aplaudidas e copiadas. No caso, é mineira a primeira decisão judicial que concede a guarda de uma criança ao companheiro transexual do pai biológico. O STJ admite que transexuais troquem o nome e a identidade sexual. Amanda Simpson, uma transexual que antes se chamava Michel Simpson, foi indicada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a um cargo executivo da administração federal. Temos no interior do Brasil um exemplo de que podemos sim quebrar os muros da hipocrisia e da discriminação. Em colônia do Piauí, a travesti Kátia Tapety, ex-vereadora e prefeita, agora terá a sua vida em documentário. Temos que avançar e qualificar as políticas públicas já existentes e dialogar com outras que contemplam a toda sociedade.
O empoderamento de sujeitos trans. propõe que a cidadania é fundamental para sair de uma condição de vulnerabilidade. Para sua construção, se faz necessário chamar seus atores, dialogando e propondo alternativa na superação da desigualdade. Temos muitos exemplos de travestis e transexuais que superaram o preconceito e fizeram outras escolhas. Escolhas das quais vai, além do ser vista como objeto de fetiches dos prazeres masculinos, mas como cidadãs que exigem respeito e reconhecimento através de uma vida plena e digna. As travestis e transexuais precisam estar visibilizadas em todos os setores da sociedade de forma positiva, para que outras meninas tenham como exemplos, parâmetro e que elas podem sim ter sua identidade respeitada e vivenciada sem culpa e medo, e que ser travestis ou transexual não é algo feio, contagioso ou pecaminoso.
Neste processo todo, a educação é um dos mecanismos que pode de forma pontual e efetiva trabalhar no sentido de romper com algumas das barreiras enfrentadas por sujeitos com identidade de gênero feminina. Tem papel fundamental quando em seu currículo e no PPP propõe parâmetros para o trabalho relacionado a uma cultura de paz e de respeito aos diferentes e as diversidades.
A escola, ao longo de sua democratização, nunca foi um espaço tão plural e diverso como na atualidade. Corpos precisam ser compreendidos e ouvidos como formas de expressão de singularidades e subjetividades. Educadores necessitam ser capacitados para a não reprodução de uma lógica discriminatória e preconceituosa. Implantação da temática da educação para os direitos humanos se faz mais do que urgente se pensarmos na violência cotidiana que se vem enfrentando.
“Se aprendemos a ter preconceito, por que não aprendermos a não ter preconceitos?”. A inclusão e permanência de travestis e transexuais não se limita exclusivamente ao nome social nos registros, mas uma aprendizagem interativa entre todos na escola e além dela. Porque conhecer e respeitar a diversidade não se limita somente dentro do espaço escolar ou em sala de aula. A escola não é tão somente um espaço do aprender conhecimentos, mas também um espaço do aprender a conviver.
Avançamos, sim, em muitos aspectos em relação aos direitos sociais e civis, através de ações afirmativas e de visibilidade, mas este direito vem com certeza incomodando muitos conservadores e fundamentalistas. Se um dos princípios básicos é amar ao outro como a si mesmo. Como amar e incluir o diferente, a diversidade humana de identidade de gênero que não segue a heteronormatividade sem querer salvá-lo…
