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Dificuldade para obter crédito aumenta

Na mesa da dona de casa Michele Carvalho, não falta arroz. Ela costuma comprar cinco quilos por mês.
Na mesa da dona de casa Michele Carvalho, não falta arroz. Ela costuma comprar cinco quilos por mês.

Karen Novochadlo
Tubarão

Mais um entrave surgiu para os rizicultores da região, cuja situação não está muito boa este ano. As instituições de crédito, para financiar a safra de próximo ano, começaram a exigir o licenciamento ambiental expedido pela Fundação do Meio Ambiente em Santa Catarina (Fatma). O problema é que, para a expedição das novas licenças, é preciso definição do novo código florestal, que é avaliado pelo senado.

Hoje, para obter a licença ambiental, é necessário fazer a averbação do lote. Contudo, pelo novo código florestal, plantações em até quatro módulos, não precisarão ser averbadas. Como o custo para a realização deste procedimento é elevada para o rizicultor, ele não quer fazer algo que poderá ser desnecessário. Hoje, na região de Tubarão, o tamanho do módulo é de entre 16 e 18 hectares.

De acordo com o presidente da Cooperativa Agropecuária de Tubarão (Copagro), Dionísio Bressan Lemos, a questão da exigência para a emissão da licença ambiental já foi levado para o secretário de agricultura, governador e à própria Fatma. Nas próximas semanas, os agricultores terão uma resposta.

A situação para os produtores será ainda mais complicada se não conseguirem crédito para o plantio e colheita do arroz, um alimento tradicional na mesa dos brasileiros. “Consumimos todos os dias. Não pode faltar na nossa mesa. Geralmente, compro um pacote de cinco quilos por mês e quase sempre é o bastante”, explica a dona de casa Michele Carvalho Barbosa, 27 anos.

Problemas enfrentados pelos rizicultores
Os rizicultores na região sofreram vários problemas com as safras deste ano, como o preço baixo da saca, a falta de um valor agregado ao produto e baixa produtividade.
Hoje, o preço da saca de arroz de 50 quilos no mercado é de R$ 22,00. Há um mês, o valor era de R$ 20,00.

Para que o produtor tenha uma margem de lucro, deveria ser de no mínimo R$ 25,80. No ano passado, as sacas eram vendidas por R$ 30,00. E, na região de Tubarão, o excesso de chuvas em 2010 reduziu a produtividade. A média dos produtores filiados à Copagro é de 140 sacas por hectare. A safra, colhida entre março e abril deste ano, foi de 111 sacas por hectare. Mesmo com a baixa produção, o preço do arroz caiu.

O motivo foi a superssafra no Rio Grande do Sul, que representa 60% do mercado brasileiro. Foram nove bilhões de toneladas. As importações de arroz dos países que compõem o Mercosul agravam o problema. Uma outra situação enfrentada é a redução do consumo.

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