FOTOS Divulgação Notisul
TEMPO DE LEITURA: 4 minutos
Um novo documentário produzido por cineastas do Sul de Santa Catarina lança luz sobre uma etapa pouco explorada da imigração italiana ao Brasil: o percurso dentro da Itália antes da travessia atlântica. A produção percorreu cerca de 20 cidades italianas e reúne imagens e depoimentos que retratam as condições sociais enfrentadas pelas famílias que deixaram o país há mais de 150 anos.
A iniciativa é da ARA Produções, de Araranguá, liderada pelo cineasta Sandro Luiz Pagnan. Após quase um mês de captação na Itália, a equipe retorna com material que busca reconstruir o caminho entre o lar e os portos de embarque, destacando as rupturas familiares e sociais vividas antes da chegada ao Brasil.
Caminho antes da travessia
O foco do documentário está no deslocamento interno de milhares de famílias italianas, que percorriam até 470 quilômetros até os portos. Esse trajeto, muitas vezes esquecido, é apresentado como parte fundamental da experiência migratória.
Segundo o diretor Sandro Luiz Pagnan, a proposta amplia o olhar sobre a imigração. “A narrativa reúne memória, identidade e deslocamento, mostrando uma dimensão pouco explorada dessa história”, afirma.
A produção combina estudos históricos, entrevistas com especialistas e relatos que ajudam a compreender o contexto da época. A Itália enfrentava crises agrícolas, escassez de trabalho e dificuldades estruturais, agravadas por condições climáticas e conflitos.
Decisão marcada por incertezas
O documentário também aborda o momento da despedida como um dos mais significativos da jornada. Deixar propriedades e vínculos familiares para seguir rumo ao desconhecido envolvia incertezas e expectativas.
Embora o Brasil fosse visto como promessa de recomeço, a realidade era complexa. “Queremos mostrar como viviam e o quanto sofreram os italianos até chegar ao Brasil”, destaca Pagnan.
A produção ainda evidencia diferenças sociais dentro da Itália. Famílias com melhores condições migravam para centros urbanos, enquanto grande parte dos que vieram ao Brasil era do meio rural, enfrentando baixa renda e poucas perspectivas.
Desafios da produção
A gravação em território europeu exigiu planejamento e apoio local. Identificar as cidades de origem e reconstruir trajetórias demandou colaboração de moradores e pesquisadores italianos.
“O desafio de acessar os locais corretos foi grande, mas conseguimos com apoio local”, relata o diretor.
Com duração prevista de cerca de 50 minutos, o documentário está agora em fase de edição. A etapa busca preservar a identidade do material e manter a proposta narrativa.
Novo momento na trajetória do cineasta
O projeto marca uma nova fase na carreira de Pagnan, que já assinou produções como “Azambuja”, “Quando Ela Chegar” e “A Primeira a Gente Nunca Esquece”.
Além dele, integram a equipe o diretor Josué Genuíno, o historiador Idemar Gizzo, a roteirista Bruna Genuíno, o diretor de fotografia Vitor Lopes e outros profissionais.
O documentário conta com apoio do Governo Federal, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, e patrocínio do Supermercado Bistek.
Serviço
- Produção: ARA Produções (Araranguá)
- Duração prevista: 50 minutos
- Fase atual: edição
- Plataformas: canal oficial no YouTube e Instagram @araproducoesoficial